08 de julho de 2026

Panelaço estridente


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Depois de abortar o plano de ação de seu marqueteiro pessoal João Santana, que pretendia fazer frente aos protestos contra o governo com aparições públicas minuciosamente estudadas e com claques favoráveis, a presidente Dilma Rousseff (PT) deu-se bem ao fugir da propaganda obrigatória do partido na televisão, na noite de terça-feira. Mesmo sem ela, a peça, recheada de inverdades repetidas pelo ex-presidente Lula e pelo dirigente Rui Falcão, foi alvo de um barulhento panelaço em diversos pontos do País, mesma reação que fez a presidente desistir de fazer o tradicional discurso em rede de rádio e TV no dia 1º de Maio, dedicado ao trabalhador.

Como bem disse o jornalista Ricardo Noblat, citado por Carlos Brickmann em sua coluna semanal no Observatório da Imprensa, todos queremos morar na propaganda do governo. Na publicidade, o Partido dos Trabalhadores tenta provar que estamos vivendo sob um governo competente, que só trouxe benefícios aos brasileiros e que os problemas hoje verificados, entre eles os recorrentes casos de corrupção que levaram entes públicos e empresários de proa para a cadeia, não existem. Para quem não vive cotidianamente os aumentos de preços, o desemprego e a inflação que volta a furar em muitos pontos a meta perseguida pelo Planalto, a propaganda edulcorada petista pode enganar. Como a crise econômica afeta grande parte da população, o panelaço foi uma resposta inapelável à maioria das bravatas divulgadas na TV.

Foi risível a tentativa de Lula e de Falcão ao tentar demonstrar indignação com a corrupção que atinge como um torpedo o cerne do partido e seus aliados. Os argumentos, com viés politiqueiro e demagogo, tentam expor ao Brasil uma legenda onde os corruptos não têm vez e que serão expulsos, caso condenados. Porém, José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha e outros próceres do partido foram julgados, condenados e presos pelo mensalão, mas permanecem filiados e com alguma influência nas decisões do PT. João Vaccari Neto, investigado por desvios em uma cooperativa habitacional, manteve-se como tesoureiro petista, cargo que só abandonou quando foi preso durante a Operação Lava-Jato, que investiga o maior escândalo de corrupção da história republicana brasileira, envolvendo filiados ao PT, PMDB e PP.

Não há como tentar tapar o sol com uma peneira. No final das contas, a propaganda do Partido dos Trabalhadores produziu um resultado oposto do que pretendia. A exibição provocou panelaços e buzinaços em diversas cidades dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Pará e também no Distrito Federal. Não há como combater a realidade com publicidade. Pelo menos no momento, derruba-se por terra a máxima nazista de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. O brasileiro hoje está mais politizado, interessado nas decisões tomadas nos gabinetes de Brasília e acompanha estarrecido as notícias diárias sobre a corrupção que corrói os cofres públicos. Por isso, não mais se deixa enganar e nem ser ludibriado por uma propaganda. Isso, inegavelmente, é um avanço para a vida democrática.

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