08 de julho de 2026

Desencanto


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Vivemos tempos de desencanto com a nação brasileira. Aquilo que era o país do futuro desvaneceu-se. Os governantes não entregam o que deveria ser um direito de todo cidadão que cumpre seus deveres, sobretudo para com a Receita Federal. Não colocam à disposição da coletividade serviços de saúde pública de qualidade, não proporcionam educação capaz de preparar os jovens para a vida futura, não se comprometem com a segurança que todos merecemos. Na sua maioria, os serviços públicos não atendem, com razoável padrão, os anseios, as necessidades da população.

Além do desencanto, há também desconfiança. Pesquisas levadas a cabo por entidades confiáveis revelam que consumidores e empresários, outra dimensão da cidadania, não estão acreditando nas instituições. Aqueles preferem não comprar para não se enredar em (mais) dívidas e problemas, estes não investem por que não enxergam um futuro promissor na economia. Resumindo, credibilidade e confiança desapareceram do radar da cidadania.

Diante desse quadro tão negativo, é de se perguntar: onde está o futuro da Pátria Amada? A sociedade e a economia brasileiras carecem de novos rumos, onde credibilidade e confiança estejam presentes. O cidadão, seja ele consumidor, operário, classe média ou empresário grande ou pequeno, merece respeito por parte dos governantes. Que deve traduzir-se na gestão minimamente adequada da realidade econômica atual e futura, hoje às voltas com inflação, carestia, desemprego, tributação nas alturas. E também num retorno justo — em termos de serviços públicos — aos impostos que paga. Ou seja, o Estado deve servir ao cidadão, e não ao contrário.

A proposta de reajuste ora em tramitação no Congresso Nacional é apenas parte da solução. E mesmo com as boas intenções ali contidas, representa pouco daquilo que o brasileiro necessita. Precisamos vislumbrar nas medidas propostas um horizonte de bonança, de crescimento, de progresso.

Vicente P. OliveiraEconomista - FEA-USP