09 de julho de 2026

Um prêmio para a imoralidade


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Ao homem público exige-se, antes de tudo, retidão de caráter e respeito no trato com a coisa pública. Além disso, espera-se que ele trate o cidadão como se este fosse seu patrão, já que sai do bolso do contribuinte o dinheiro que paga os seus vencimentos, benefícios e até mordomias que não contemplam a maioria dos trabalhadores brasileiros. Por isso, o cidadão-eleitor espera que todas as ações ilegais e imorais de seus representantes eleitos sejam devidamente apuradas e punidas com rigor. Se um cidadão agride outro, fica sujeito às penalidades previstas no Código Penal brasileiro: é indiciado, processado e, muitas vezes, preso. Ele não conta com o beneplácito de seus pares para que se safe como ocorreu com o vereador Luiz Vergara (PSB).

O Conselho de Ética da Câmara Municipal apresentou ontem o relatório final da investigação feita contra o vereador Luiz Carlos Vergara (PSB) que agrediu com um tapa na cara o marceneiro Hélio Vissoto no plenário do Legislativo. Este exigia daquele explicações sobre a incoerência que o vinha caracterizando já há algum tempo: crítico feroz do prefeito, de repente, não mais que de repente, tinha se aliado ao chefe do Executivo, sem qualquer explicação plausível. Como o portal GCN divulgou e o Comércio publica na presente edição, os integrantes do conselho, Pastor Otávio (PTB), Donizete da Farmácia (PSDB) e Jépy Pereira (PSDB), decidiram aplicar só uma suspensão a Vergara, que ficará fora da Câmara por 60 dias, sem receber salários. Ficou barata para o parlamentar a sua atitude que feriu a ética e o decoro exigidos para um legislador em pleno exercício do mandato. Mais: foi um prêmio para a imoralidade.

O caso, que ganhou destaque nacional e internacional, revoltou principalmente os francanos conscientes do tamanho do destempero de um legislador eleito para defender os interesses daqueles que lhe outorgaram um mandato. Há mais de 60 dias os integrantes do Conselho de Ética faziam a “apuração” do fato, cujas imagens captadas pelo repórter fotográfico Dirceu Garcia não deixam dúvidas: Vergara agrediu Hélio Vissoto com um tapa na cara e saiu correndo, sem qualquer esboço de agressão por parte de seu antagonista. Tivéssemos um Legislativo comprometido com as boas práticas políticas e com aqueles que elegeram os seus integrantes, este desfecho não teria sido possível.

Desde a divulgação da notícia, que causou revolta onde foi apresentada, por causa da força das imagens, esperava-se uma rápida apuração e condenação, chegando à cassação do mandato de Luiz Vergara. Qualquer coisa menos do que isso, seria inaceitável. Com o resultado, fica bastante claro o que move a maioria dos vereadores de Franca: o corporativismo, o conchavo e as ações de compadres. Há honrosas exceções, como Valéria Marson (PSDB), Daniel Radaeli (PMDB) e Márcio do Flórida (PT), que aparentemente não compactuam com uma série de atos imorais verificados na Câmara Municipal. O que nos tranquiliza é que a população francana, que tem mostrado lucidez nas opiniões enviadas a este jornal e também nas redes sociais, saberá dar a sua sentença nas eleições do ano que vem. Esta, certamente, virá das urnas e será um alento para todos nós.

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