O Corpo de Bombeiros de Orlândia encerrou na manhã de ontem, com a localização da segunda vítima, a busca pelos corpos dos jovens Matheus Fernando Silva Ferreira e Richard Lucas dos Santos Gomes, ambos de 20 anos. O primeiro foi encontrado mais de 50 horas após desaparecer nas águas da cachoeira dos Dourados, no rio Sapucaí, em Nuporanga. O segundo, só na manhã de ontem. A dupla acompanhada de outros dois amigos, todos de Franca, havia saído na manhã do feriado, 1º de maio, com destino ao local para uma pescaria.
Segundo Rosângela Gomes, tia de Richard, o grupo combinou o passeio na segunda-feira e seguiu para a cachoeira de moto na manhã de sexta-feira. Os quatro trabalhavam juntos como sapateiros em uma fábrica, no Distrito Industrial. De acordo com relato dos sobreviventes à família, os afogamentos aconteceram perto das 11 horas. Matheus teria escorregado de uma pedra e Richard pulado na água em seguida, na tentativa de salvar o amigo. Devido à forte correnteza, os dois não conseguiram voltar e acabaram levados pela água. “Ele era muito companheiro e prestativo. Com certeza, só pensou em ajudar quando viu o amigo se afogando”, disse a tia.
Após quase dois dias de busca, o corpo de Matheus foi encontrado na tarde de domingo, 3, próximo de onde havia desaparecido. Foi enterrado no começo da tarde de ontem, 4, no cemitério Jardim das Oliveiras, com trabalhos da funerária Nova Franca.
Na manhã de segunda-feira, poucas horas após as buscas serem retomadas, os mergulhadores do Corpo de Bombeiros conseguiram avistar e resgatar o segundo corpo. “Ele estava bastante machucado e há cerca de 400 metros de onde caiu”, disse o subtenente Cunha, que destacou o perigo do local. “É uma cachoeira que atrai muitas pessoas, porém, oferece muito risco. Há muitas pedras e galhos, a correnteza é forte e a água turva. Tem locais em que a profundidade engana”, alertou. De acordo com o subtenente, em média quatro pessoas se afogam todos os anos naquela região do rio.
Para Luiz Antônio Donizeti Paiva, tio de Richard que acompanhou o resgate, foram três dias de tensão até a localização do corpo. “A angústia é muito grande. Não se tinha notícia. Ele não falou que viria para cá”, disse. Ainda segundo Paiva, que também era padrinho de Richard, os jovens foram até o local atraídos pela cachoeira. “Como é um local particular e de preservação, deveriam proibir a entrada. Evitar que tragédias como essa aconteçam.”
Devido à burocracia para a liberação do corpo, o sepultamento de Richard estava previsto para acontecer somente na manhã de hoje, com trabalhos da funerária São Francisco.