Após 72 horas desde o início da greve dos servidores municipais, a paralisação ainda parece estar sendo ignorada pela Prefeitura de Franca, apesar das constantes manifestações na porta do Paço. De acordo com o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, até ontem o Poder Executivo não havia respondido aos diversos pedidos de negociação feitos pela categoria.
“Protocolamos ofício pedindo reunião e o prefeito (Alexandre Ferreira, PSDB) não nos atendeu. Também ligamos na Secretaria de Recursos Humanos, mas o secretário (Humberto Mazza) também não nos atendeu. Estamos pedindo negociação, queremos que ela aconteça, e não que eles nos imponham valores”, disse o presidente do Sindicato, Fernando Nascimento.
No início da manhã de ontem, a porta do PS “Álvaro Azzuz” foi o local escolhido pelos servidores para iniciar as manifestações. Cerca de 200 pessoas participaram do ato munidas de cartazes, além de outros objetos como nariz de palhaço, uma “mãozona” (em referência ao tapa na cara que o vereador Luiz Vergara (PSB) desferiu contra um cidadão dentro da Câmara) e muitos apitos e cornetas. Carro de som e instrumentos musicais também engrossavam o movimento que seguiu em caminhada pela avenida Doutor Flávio Rocha, onde fica a Secretaria Municipal de Saúde, até a sede do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), na alameda Vicente Leporace, de onde retornaram para a porta do pronto-socorro. Todo o trajeto foi acompanhado pela Polícia Militar, que não registrou nenhuma ocorrência.
A principal reivindicação do jardineiro Paulo Dimas, que é servidor municipal há 9 anos, é por aumento real de salário. “Há mais de dez anos que o servidor não tem aumento real, só reajuste inflacionário. Não dá para ficar assim.” Outro funcionário da Prefeitura, que preferiu não ter o nome divulgado, pede o fim do assédio moral. “Sofremos muita pressão. Só de eu estar participando da greve, com certeza, irei sofrer represálias, e isso tem que parar.” Outra servidora, que também pediu para manter a identidade em sigilo, disse ter vergonha da administração municipal. “É uma vergonha nacional o que essa Prefeitura faz com a gente, e a Câmara que apoia também.”
No início da tarde, os servidores se concentraram na porta do Paço Municipal e, por volta das 14h30, seguiram em passeata até a praça Nossa Senhora da Conceição. Muitos trabalhadores optam por não dar depoimento por medo de sofrer alguma punição. “Depois vão me mandar lá para o Centro Pop”, disse uma funcionária da Secretaria de Ação Social. Mas muitos expressaram suas falas em cartazes. “1º de abril. Dia nacional dos políticos”, dizia uma das placas fazendo referência ao Dia da Mentira. “A luta é por melhores condições de trabalho e atendimento à população”, expressava outra placa.
Nesta quinta, o protesto dos servidores continua. O início do movimento deve acontecer às 8 horas, na porta da Prefeitura, de onde os manifestantes irão seguir até o colégio Champagnat, onde funciona a Secretaria Municipal da Educação.
Parado
Segundo levantamento parcial feito pelo Sindicato dos Servidores, ontem, quatro UBSs (Unidades Básicas de Saúde) estavam paradas, além de outras seis que funcionavam parcialmente. Professores de 28 escolas municipais também haviam aderido ao movimento nessa quarta-feira, assim como 60% dos servidores da Secretaria de Serviços e Meio Ambiente.
Assista: