11 de julho de 2026

Fábrica clandestina de aguardente é fechada pela polícia na zona Norte


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Trabalhadores recolhem material encontrado em barracão. Tudo foi encaminhado ao Aterro Sanitário

Agentes do 3º Distrito Policial de Franca, comandados pelo delegado Leopoldo Gomes Novais, fecharam na manhã de ontem uma fábrica clandestina de bebidas que funcionava no Jardim Ipanema, zona Norte. Os produtos, a maioria aguardente, popular pinga, eram falsificados e armazenados em embalagens de agrotóxicos usadas.

As bebidas eram fabricadas sem nenhum tipo de higiene. Algumas garrafas já envasadas continham em seu interior objetos sólidos. O proprietário do barracão foi identificado, mas fugiu antes da operação. Entre os materiais apreendidos estavam mais de 100 mil garrafas de bebidas destiladas.

A polícia descobriu a fábrica a partir de uma denúncia anônima. “O Setor de Investigação recebeu informação da existência de uma fábrica clandestina de bebidas alcoólicas na zona Norte e que o produtor, após falsificar os produtos, comercializava em Franca e cidades da região. O material seria vendido, em ‘botecos’ da periferia”, disse o delegado.

Assista:


Em um barracão fechado, sem ventilação ou higiene, os policiais se depararam com a linha de produção de bebidas alcoólicas falsificadas. Entre os equipamentos estavam uma lavadora de garrafas e outra máquina para colocar tampas metálicas e rótulos. As bebidas eram armazenadas, antes do envase, em galões de agrotóxicos. “Preparada a mistura, ela era colocada em galões vazios de agrotóxicos e depois distribuída em garrafas plásticas e de vidro”, comentou Novais, em meio a mosquitos e animais peçonhentos que circulavam no interior do prédio.

Na operação, a equipe do 3º DP constatou que as garrafas usadas eram, em sua maioria, de bebidas tradicionais. “Os rótulos originais eram retirados e o autor colocava os da sua fábrica clandestina”. Ainda segundo o delegado, em várias garrafas já envasadas havia resíduos sólidos. “O que era usado na fabricação clandestina e o que são estes objetos, só serão conhecidos após a emissão dos laudos periciais”.

A Vigilância Sanitária foi acionada. Agentes do setor constataram a falta de higiene na fabricação dos produtos. Eles também localizaram larvas do mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue em garrafas com água parada. “Foram constatadas diversas infrações à legislação sanitária municipal, o que motivou o imediato descarte dos produtos”, justificou Novais, em referência à retirada do material do local e seu encaminhamento para o aterro sanitário.

O descarte ocorreu após um perito do IC (Instituto de Criminalística) colher amostras dos produtos para análise. Mais de 100 mil garrafas, entre cheias e vazias, seis mil caixas e vários toneis, além de maquinário usados na fabricação clandestina foram apreendidos. Os materiais usados na fabricação e os produtos finais foram destruídos.

Foragido
O proprietário da fábrica clandestina não foi localizado, mas sua identidade é conhecida da polícia. Considerado foragido, ele pode ter a prisão preventiva requerida junto à Justiça caso não se apresente, segundo o delegado Novais.

“Ele (acusado) responderá judicialmente por crime contra a saúde pública e por falsificar bebida alcoólica nociva à saúde humana”. O crime prevê até 8 anos de reclusão.