Diversas estatísticas evidenciam números alarmantes de alimentos desperdiçados no país (e no mundo). Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Brasil são 40 mil toneladas perdidas por dia. Será possível mudar essa realidade considerando o número de pessoas que ainda estão sujeitas à fome? Afirmo que sim, com hábitos conscientes no momento da compra, reutilização das sobras e doação dos alimentos, avaliando sempre as boas práticas de higiene.
Estabelecimentos varejistas, por exemplo, deveriam ser modelos de uso dessas práticas, evitando perdas e desperdícios no transporte, no armazenamento e na manipulação. Os alimentos possuem características próprias, como pH e composição química que os classificam como perecíveis e não perecíveis, e são essas características que vão determinar as condições adequadas para cada processo.
Profissionais da área também devem compreender que a higienização do local de armazenamento e venda é de extrema importância, assim como dos carros usados no transporte. Tudo precisa estar de acordo com as exigências da legislação.
Quando se trata de contribuir com o próximo, doar as sobras pode ajudar a reduzir a fome no país; entretanto, é bom ressaltar que, pela legislação federal, os estabelecimentos são responsáveis pela qualidade dos alimentos oferecidos. Portanto, a doação é desejável desde que as boas práticas de higiene e manipulação tenham sido empregadas, garantindo a segurança do consumidor final.
O que falta aos profissionais da área alimentícia e a toda a população são conhecimentos sobre esses procedimentos. Muitos desconhecem, por exemplo, os benefícios do uso de cascas e talos comestíveis de vegetais, que são ricos em nutrientes.
Taila Santos de Freitas
Mestre em ciências nutricionais e docente do Senac Franca