10 de julho de 2026

Em Franca: 6 mil contra a corrupção e o governo Dilma Rousseff; veja fotos


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Protesto em Franca se concentrou na Praça Central e durou cerca de 3h. Além de atingir a presidente Dilma, ação também atacou o PT e o ex-presidente Lula
Seis mil pessoas (segundo organizadores) vestidas com as cores da bandeira brasileira coloriram a praça Nossa Senhora da Conceição na manhã do último domingo. Os motivos que levaram os francanos ao Centro eram estampados em faixas e cartazes, além de serem ecoados em discursos, paródias e gritos de protesto. O movimento, organizado pelas redes sociais, colocou Franca na lista das mais de 100 cidades em todo o país que foram às ruas pedir o fim da corrupção e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo a Polícia Militar, havia 4,5 mil pessoas no protesto.
 
Um enorme cartaz com o dizer “Fora Dilma” e o rosto da presidente foi colocado na concha acústica. Ele se uniu a diversas outras faixas carregadas pelos milhares de manifestantes que exibiam pedidos como “reforma política”, “chega de corrupção”, “fora ladrões” e até “direitos iguais a todos os brasileiros”. Outros chegavam a requisitar “intervenção militar”. O PT e o ex-presidente Lula também eram alvos das mensagens. Temas locais não ficaram de fora dos cartazes. Um deles dizia “Vem me bater Vergara”, se referindo ao tapa desferido pelo vereador do PSB contra um eleitor em plena Câmara Municipal, na sessão do dia 3 de março.
 
A multidão que lotou os arredores da concha acústica não tinha uma faixa etária específica. Era possível ver de crianças a idosos ecoando um grito comum, contra o governo e a corrupção, e cantando o hino nacional. “A nossa bandeira jamais será vermelha” era uma das frases empunhadas pelo público, fazendo menção à cor do Partido dos Trabalhadores. 
 
Além de trajarem roupas com as cores verde e amarela, muitos manifestantes se enrolaram na própria bandeira brasileira durante a manifestação. Outros usaram chapéus, lenços, perucas e até pintaram os rostos com as cores do Brasil. Alguns optaram por narizes de palhaço como forma de protesto.
 
A advogada Patrícia Veloso Rodrigues, 36, foi a responsável por criar uma página no Facebook e convocar os francanos para irem às ruas. “Criei um post na página ‘Eu indico em Franca’, no Facebook, perguntando se Franca participaria das manifestações. O pessoal respondeu que sim, então começamos a conversar e a nos encontrar para organizar o movimento”, disse. O professor universitário Heleno Paim, 69, também fez parte da equipe organizadora. Ele explicou que, por motivos de segurança, o grupo preferiu concentrar a manifestação apenas na Praça Central. Durante o discurso que fez no ato, o professor explicou o processo de impeachment e pediu calma aos manifestantes. “O processo democrático é lento, não acontece de um dia para o outro. Vamos fazer tudo dentro da legalidade, sem arruaça, sem quebradeira.”
 
Logo no início do protesto, os manifestantes cantaram o hino nacional brasileiro. O povo ergueu os pulsos nos últimos segundos da música e depois aplaudiu. Durante o protesto, até o azul do céu sobre os populares ficou também verde e amarelo com uma chuva de papéis com as cores do Brasil. Quase no fim da manifestação, que durou cerca de três horas, a população convenceu os organizadores a fazerem uma passeata pelas ruas que contornam a praça. Segundo o capitão Helder, da Polícia Militar, não foi registrada nenhuma ocorrência durante o ato. Cem PMs fizeram a segurança durante a manifestação.
 
Famílias e entidades
Foram várias as famílias que marcaram presença no Centro. A estudante universitária Thabata Fernanda Spilandelli, 25, não hesitou em levar o filho Fernando, de apenas 1 ano e 9 meses, para a praça Nossa Senhora da Conceição. “Nossa guerra é pacífica. Nossas leis são boas, mas não são usadas. Precisamos aplicá-las contra a corrupção e a impunidade.” A dona de casa Marisa Sousa da Silva também foi ao ato com a família. “Por volta das oito e meia (da manhã) estava saindo de casa. Vim protestar por conta do sentimento de impunidade que está afetando o Brasil.” Já o estudante Luís Ferreira Lopes, 18, foi sozinho participar da manifestação. “Estou aqui, pois considero esse um momento importante na história do país. Com certeza, as manifestações trarão mudanças.”
 
Representantes da maçonaria, do Rotary, da Uni-Facef e da Acif (Associação do Comércio e da Indústria de Franca) também estiveram presentes no ato em apoio às reivindicações. “Não concordo com o que os governantes estão fazendo com o Brasil”, disse o médico Normando de Andrade, 62.
 
Trator
Enquanto a movimentação acontecia na praça, agricultores começaram uma carreata no bairro da Estação e seguiram para o Centro. Cerca de 20 tratoristas vindos do Buritizinho revelaram que suas reivindicações eram as mesmas do grupo a pé. “Está difícil trabalhar com os impostos”, disse o cafeicultor José Eugênio Queiroz, 52, que puxava a carreata dos tratoristas. 
 
Com as ruas interditadas, o grupo teve de contornar outras vias do Centro e acabaram sendo acompanhados por manifestantes que deixavam a praça em seus veículos. 
 
O fato inusitado foi veiculado pelo programa dominical Fantástico, da Globo, que incluiu os protestos de Franca na matéria sobre as manifestações pelo país.
 
Região
A população de cidades da região também aderiram ao movimento do último domingo. Em São Joaquim da Barra, cerca de 300 pessoas se concentraram na Praça 7 de Setembro, no Centro. A movimentação na cidade foi pacífica e os manifestantes traziam consigo cartazes, apitos e bandeiras do Brasil. O evento em São Joaquim foi acompanhado pela Policia Militar.
 
Em Orlândia, os protestos ocorreram durante a tarde. Cerca de 500 pessoas, munidos de megafones, apitos e cartazes, iniciaram o ato na praça dos Imigrantes e percorreram toda extensão da Rua Um até a praça Mário Furtado. A PM também garantiu a segurança em Orlândia.
 
Em Ituverava, os manifestantes saíram em passeata e carreata pela avenida Doutor Soares de Oliveira com destino à estátua do Cristo, acompanhados pela Polícia Militar. Cerca de 50 pessoas e 30 carros participaram do movimento, que foi pacífico.
 
Houve protestos no último domingo em cerca de 160 cidades dos 26 Estados brasileiros e no Distrito Federal. Em São Paulo, um milhão de pessoas lotaram a avenida Paulista.