Atualizado às 18h40
A praça "Nossa Senhora da Conceição", no Centro de Franca, ficou pintada de verde e amarelo na manhã deste domingo, 15. Segundo os organizadores, mais de seis mil pessoas se reuniram diante da Concha Acústica para protestar contra o governo federal e a presidente Dilma Rousseff. Já a Polícia Militar estima que 4,5 mil pessoas estiveram presentes no movimento.
Francanos registram toda a manifestação; confira fotos
A maioria dos manifestantes vestia camisetas com as cores da bandeira brasileira e erguia faixas e cartazes que demonstravam descontentamento com o governo atual. Uma chuva de papeis verdes e amarelos ajudou a colorir o ambiente de protestos. Integrantes da Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca), Uni-Facef e de lojas maçônicas também estiveram presentes.
O evento fez parte da mobilização nacional que acontece durante todo o domingo e foi organizado por meio das redes sociais. 18 estados além do Distrito Federal registraram movimentos populares hoje.
Em Franca, Patrícia Veloso Rodrigues, 36, fez parte da equipe organizadora. "Criei uma publicação em um grupo do Facebook para saber se Franca iria aderir às manifestações e o pessoal respondeu. Nos reunimos várias vezes e acertamos os detalhes".
Para evitar dificuldades e possíveis confusões, os organizadores optaram por não sair em passeata pela cidade. Com os manifestantes reunidos na praça central, o grupo usou o coreto para discursar e protestar contra corrupção, impunidade e insegurança. "Queremos educação de volta, saúde de volta, queremos o direito de fazer valer os impostos que pagamos", disse Patrícia.
Em sua fala para o povo francano, o professor Heleno Paim, 69, destacou a importância da paciência e de atitudes pacíficas no movimento. "O processo democrático é lento, não acontece de um dia para o outro. Vamos fazer tudo dentro da legalidade, sem arruaça, sem quebradeira", discursou.
Segundo o capitão Helder, da Polícia Militar, não foi registrada nenhuma ocorrência durante o ato que durou cerca de 3 horas. 100 PMs fizeram a segurança durante a manifestação.
Foram várias as famílias que marcaram presença no Centro. A estudante universitária Thabata Fernanda Spilandelli, 25, não hesitou em levar o filho Fernando, de apenas 1,9 ano para a Praça Nossa Senhora da Conceição. “Nossa guerra é pacífica. Nossas leis são boas, mas não são usadas. Precisamos aplicá-las contra a corrupção e a impunidade”.
Marisa Sousa da Silva, 53, foi com a família e chegou cedo para participar de toda a movimentação. "Por volta das oito e meia (da manhã) estava saindo de casa. Vim protestar por conta do sentimento de impunidade que está afetando o Brasil".
O comerciante João Moraes, 60, também foi com familiares. Para ele, a mobilização popular é o caminho para que mudanças aconteçam efetivamente no país. "Se o povo não mostrar que não está gostando, eles vão ficar de braços cruzados".
Representantes da maçonaria também marcaram presença na manifestação de hoje. Um dos representantes dos maçons, o médico Normando de Andrade, 62, contou que estaria ali mesmo se as lojas maçônicas não tivessem aderido à manifestação. "Viria mesmo sem a loja, não concordo com o que os governantes estão fazendo com o Brasil", afirmou. Segundo ele, a direção de cada loja entrou em contato com os organizadores do protesto para esquematizar a participação dos maçons.
Foto: Wilker Maia/Comércio da Franca
Enquanto a movimentação acontecia na praça, agricultores começaram uma carreata no bairro da Estação e seguiram para o centro. Cerca de 30 tratoristas vindos do Buritizinho revelaram que suas reivindicações eram as mesmas do grupo a pé. Com as ruas interditadas, o grupo teve de contornar outras ruas do bairro e foi acompanhado por protestantes que já deixavam o local com seus veículos.
Já no fim da manifestação, quando o relógio se aproximava das onze e meia, a população convenceu os organizadores a fazerem uma passeata pelas ruas que contornam a praça. Ao som do hino nacional e de paródias feitas com músicas emblemáticas, como "Para não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré, o povo tomou as ruas e, após algumas voltas, começou a dispersar.
A ideia agora é organizar outros atos de acordo com a mobilização no resto do país. O professor Paim acredita que o dia 1º de maio, Dia do Trabalho, seria uma boa data para outro protesto. Em suas últimas falas no coreto, Patrícia convocou a população a continuar comparecendo em manifestações como a de hoje.
Veja vídeo gravado pela internauta Débora Morais Corrêa Neves:
Fotos: Leandro Campos
Foto: Edson Arantes/Comércio da Franca
Foto: Rose Victal
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