Um policial civil é suspeito de matar um cão de guarda a tiros em um depósito de gás, em Belo Horizonte. O animal teria assustado a esposa do policial ao fugir para a calçada.
A cadela Pity, de um ano e nove meses, tomava conta do depósito de gás de seu dono, Hiram José Marques do Carmo, de 28 anos, no bairro Santa Amélia, e foi morta a tiros por um policial na última sexta-feira, dia 6, na frente dos filhos do dono, de 17 e 5 anos de idade.
Segundo testemunhas, a mulher do policial passava pela rua quando se assustou com Pity, que havia fugido para a calçada. O dono do animal alega que em momento algum a cadela ameaçou atacá-la ou sequer rosnou para a mulher. “A cadela só ficou cheirando a árvore, nem latiu, meu motorista gritou e ela entrou de volta. A mulher foi embora xingando palavrões. Quinze minutos depois, um cara chegou e começou a me xingar. Perguntou quem era eu para instigar a cachorra a morder a esposa. Ele ameaçou me matar e matar a cachorra. Eu falei para fazer como quisesse. Então, ele tirou a arma da cintura e disparou”, contou Hiram.
Os vizinhos escutaram os disparos e disseram que a cadela agonizava de dor, enquanto o policial saiu do local caminhando como se nada tivesse acontecido. Pity foi levada para uma clínica, mas após três paradas cardiorrespiratórias, não resistiu. Hiram registrou um boletim de ocorrência e entrou com denúncia na Corregedoria da Polícia Civil. Pela placa do carro, Hiram conseguiu descobrir que já havia entregado gás na casa do policial.
De acordo com o dono, Pity não era agressiva, pelo contrário era muito dócil, adestrada e nunca havia mordido ninguém. “Nem rosnou, nem latiu para essa senhora. Meu filho de cinco anos está traumatizado, ele viu tudo. O tiro podia ter pegado em qualquer um de nós. Ou em um botijão de gás, o que explodiria o depósito”, contou o dono do depósito.
Repórteres do R7 tentaram falar o policial acusado e mesmo vizinhos tendo confirmado o endereço da casa do homem, uma mulher negou que o policial morasse na residência. A assessoria da Polícia Civil explicou que o delegado Mateus Cobucci, da 2ª Delegacia de Venda Nova, deve ouvir o suspeito na sexta-feira, dia 13. Como o depoimento do suspeito pelo crime ainda não foi colhido, a polícia não quis identificar o policial, que seria lotado na 1ª delegacia.