O dia 26 de fevereiro ainda não sai da memória do garoto C., de 11 anos, irmão de Adriano Henrique Jardim Ramos, que morreu depois de ser espancado pela mãe. Foi C. que ao voltar da escola insistiu para que Jane Aparecida Jardim, sua mãe, pedisse socorro. Como ela não o faz, o menino chama um vizinho para levar o irmão que agonizava na cama para o hospital.
Em seu depoimento à polícia e na reconstituição do crime, Jane disse que foi ela quem buscou ajuda. O menino nega. “Se não fosse eu ir chamar alguém, meu irmão tinha morrido ali mesmo na cama de casa”.
C. conta que naquele dia os dois iriam juntos para a escola, como faziam sempre, mas a mãe resolveu limpar a casa. “Como era dia de faxina, ela disse que o Adriano não ia ficar para cuidar do D. (irmão caçula, de 2 anos). Eu fui sozinho e o Adriano ficou”.
Segundo C., ele voltou da escola por volta de 12h40. “Cheguei e ela me falou que o Adriano estava desmaiado, que ele tinha caído e batido a cabeça no chão. Eu fui vê-lo no quarto. Ele estava deitado respirando com muita dificuldade e não acordava”.
Apavorado, o menino pediu à mãe que fizesse algo. Ela decide usar álcool para tentar acordá-lo. “Eu fui buscar na vizinha. Ela pegou um pano e colocou no nariz dele. Mas ele nem se mexeu”.
O garoto disse que ficou ainda mais desesperado e insistiu para que a mãe chamasse algum vizinho para socorrer Adriano. “Ela disse que não ia chamar ninguém, que estava com medo de ser presa”.
Foi quando, por volta das 13h30, C. saiu à procura de ajuda. Encontrou no caminho um funcionário da fazenda e contou a ele o que tinha acontecido. “Ele levou a gente até o posto de Saúde lá de Cristais, que mandou a gente ir para Franca. No caminho, Adriano já não estava mais respirando. Chegou e foi direto para a UTI”. No hospital, teria morrido ainda na noite de quinta-feira. Mas os médicos só confirmaram a morte cerebral na sexta.
Para C., a mãe não foi a única a bater em Adriano naquela manhã. “Eu cheguei e vi que a bolsa do Tiago (Rodrigues, o padrasto), que ele sempre levava quando ia para a roça, estava em casa. Em cima da mesa. Para mim, ele participou disso”.
Investigação
O delegado Djalma Batista, responsável pelas investigações, disse na sexta-feira, não ter elementos suficientes para ligar Tiago ao homicídio de Adriano.
Na última sexta-feira, uma das testemunhas do caso disse que durante a manhã em que Adriano foi espancado Tiago teria estado na casa onde morava com a família no mesmo horário em que Jane disse ter começado os espancamentos, por volta das 8h30.
Para o delegado, Tiago confirmou que foi até o imóvel, mas negou que tenha participado do espancamento. “Ele disse que foi apenas até a varanda onde pegou algumas ferramentas e saiu. Ele não teria ouvido nada nem visto qualquer cena”.
Sem provas, o delegado acabou indiciando Tiago Rodrigues pelo crime de tortura.