As surras e castigos sofridos pelo menino Adriano Henrique Jardim Ramos, de 5 anos, que morreu depois de ser espancado pela mãe Jane Aparecida Jardim, 27, eram rotina na Fazenda São José, em Cristais Paulista, e não se restringiam a ele. Seu irmão mais velho de 11 anos também apanhava com frequência e era submetido a castigos que chegavam a se estender por dois dias. O Comércio viajou até Campinas na última quarta-feira e conversou com o garoto na casa do pai das crianças.
Ainda abalado pela morte de seu irmão, o menino contou como eram os dias na fazenda e acusou o padrasto Thiago Rodrigues, 31, de também bater nele e no irmão. “Ele dava chicotada, cintada, borrachada e tudo.”
O garoto conta que a violência aumentava sempre que o padrasto bebia. “Era ainda pior quando ele bebia pinga. Um dia, ele amarrou o Adriano na árvore e deixou ele lá. Ele não queria levantar da cama. Aí o Thiago foi lá, pegou o Adriano pelas pernas e pendurou de cabeça para baixo na árvore e deixou lá.” Segundo o garoto, Adriano teria ficado cerca de meia hora pendurado em uma mangueira no quintal.
O menino de 11 anos tem as mãos calejadas. Ele narra que quase todos os dias era obrigado a trabalhar pesado na roça. Sempre que se recusava, ficava sem comer. “Em uma das vezes, eu fiquei dois dias sem comer. Eu não quis carregar os troncos de cerca que eram pesados. O Thiago disse que se não fizesse o que ele queria, eu não ia comer. Eu fiquei dois dias sem almoçar e jantar, sem comer nada.”