10 de julho de 2026

Estudante de Passos morre após coma alcóolico em festa universitária open


| Tempo de leitura: 4 min
Humberto Moura Fonseca, 23 anos, morreu no evento

Ana Borges
do Jornal da Cidade de Bauru, associado à APJ (Associação Paulista de Jornais)

Uma festa “open bar” com direito a competição de bebidas resultou na morte do jovem Humberto Moura Fonseca, de 23 anos, e deixou outros três universitários hospitalizados em coma alcoólico na tarde deste sábado (28), em uma chácara no Jardim Ouro Verde, em Bauru.

Conforme apuração do JC neste domingo (1º) com a Polícia Civil, dois organizadores da festa foram presos acusados de homicídio com dolo eventual. Eles também respondem pelo estado das outras três vítimas. Leia mais abaixo.

A regra deste “torneio” disputado entre repúblicas era ingerir o máximo possível de bebidas como vodca e jurupinga no menor tempo possível. A vítima era moradora de Passos, em Minas Gerais (MG), e cursava o 4º ano de engenharia elétrica na Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A comissão nega que a festa teria esse intuito, porém, na página do evento no facebook é possível encontrar diversas postagens para as inscrições de uma suposta competição entre repúblicas, sem citar a dinâmica. Os organizadores dizem que souberam “por alto” que haveria esse tipo de disputa no evento, mas que não teria sido organizado por eles, e sim pelas próprias repúblicas.

A festa teve início às 15h e logo no início os jovens foram socorridos por uma ambulância do próprio evento e encaminhados à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Ipiranga. Humberto precisou ser transferido rapidamente ao Pronto-Socorro Central (PSC), mas morreu logo após dar entrada. Os outros três estudantes que não tiveram as identidades divulgadas permaneceram na UPA entubados em estado grave e seriam transferidos ao Hospital de Base.

De acordo com o advogado dos integrantes da comissão do evento, que não quis ter o nome divulgado, eles foram informados da morte pelos socorristas da ambulância do evento e ficaram extremamente abalados. Mesmo com a confirmação da morte, o evento continuou.

O caso ocorreu por volta de 16h, e a Polícia Militar (PM) foi acionada por uma enfermeira do UPA dizendo que muitos jovens que estavam em uma festa universitária estavam dando entrada na unidade hospitalar em coma alcoólico. Imediatamente, os policiais foram à unidade de saúde e à chácara.

Disputa

De acordo com o tenente da Polícia Militar (PM) Osnei Rodrigues Cesetti Junior, que esteve no local da festa, não foi possível confirmar se os organizadores tinham conhecimento da disputa entre repúblicas, porém, algumas versões colhidas no local afirmam que os universitários participavam de uma competição de ingestão de bebida alcoólica. Os policiais militares conversaram com vários integrantes da comissão organizadora, alguns deles estavam bastante abalados e chegaram a chorar com a notícia da morte do jovem. O tenente ainda confirmou que o evento não possuía qualquer tipo de alvará nem da prefeitura, nem no Corpo de Bombeiros ou da Polícia Militar (PM).

Segundo Mário Henrique Ramos, delegado plantonista, um inquérito foi instaurado para investigar tanto a causa da morte do jovem quanto também a responsabilidade dos organizadores em relação ao fato.

“Se for provado que a ingestão de bebidas foi incentivada pelos próprios organizadores pelas redes sociais na página do Inter-reps, eles podem responder por lesão corporal culposa ou homicídio culposo. A pessoa que se propõe a organizar um evento que incentive o consumo de álcool dessa forma sabe que aquilo pode acarretar um risco até de morte. E se isso foi estimulado pelos organizadores, eles responderão criminalmente”, explicou o delegado.

“O exame toxicológico também será pedido, pois precisamos saber se além de álcool também havia a presença de drogas no organismo. Se houver algum tipo de droga, os organizadores também podem ser responsabilizados porque deveriam ter reforçado a segurança, para evitar a entrada desse tipo de substância no local.”

Em relação à falta de alvarás, a Polícia Civil informou que cabe à prefeitura penalizar a organização administrativamente com aplicação de multa. “Às vezes, as pessoas deixam de solicitar esses documentos, pois várias normas de segurança são exigidas, como número mínimo de sanitários, seguranças e também saídas de emergência e depois acabam se complicando. Mas agora, o primeiro passo é identificar os organizadores do evento, se são estudantes ou há uma empresa formada por eles” salientou
Outros nomes

A estudante G.A.C., 23 anos, deu entrada na UTI do Hospital Estadual. Juliana Tibúrcio Gomes, 19, na UTI do Hospital de Base. A terceira vítima grave é Mateus Pierre Carvalho, que seria transferido do PS Central para uma instituição particular.

A notícia da morte

Uma mulher que estava no Pronto-Socorro Central (PSC) e presenciou a notícia da morte do universitário sendo dada aos amigos que o acompanharam na ambulância se emocionou. “Foi uma cena muito triste, eles estavam todos de colete amarelo, acho que era uniforme da festa. Eles ficaram sem chão, todos se abraçaram e choraram muito. Deu pena”, relatou a mulher, que aguardava atendimento médico.

Organizadores presos

Dois organizadores da festa, estudantes do quarto ano de engenharia, entre 24 e 26 anos, foram presos acusados de homicídio com dolo eventual. Eles também respondem por lesão corporal grave das outras três vítimas internadas.

A Polícia Civil não divulgou mais informações sobre o caso e censurou o boletim de ocorrência (BO). Os advogados dos estudantes responsabilizados estão tentando, no momento, pleitear a liberdade deles.

Unesp

A universidade divulgou nota oficial na qual destaca que a festa ocorreu fora de suas dependências - "no câmpus, a bebida alcoólica é proibida" - e lamentou a morte do estudante. Informou ainda que proíbe trotes e citou que distribui folhetos para novos alunos com essa informação.