A dona de casa Maria Cristina de Moraes Brito, 50, foi morta a tiros na garagem da casa onde morava, no Jardim Portinari, ontem. O autor dos disparos foi o aposentado Fábio José Natal, 67, ex-companheiro da vítima. Ele se matou em seguida. Foi o segundo homicídio do ano em Franca. Em ambos os casos, a motivação foi passional. O autor não aceitava o fim do relacionamento.
Segundo familiares, foi uma tragédia anunciada. Maria Cristina e Fábio moraram juntos por cerca de quatro anos. Em novembro do ano passado, ela resolveu se separar. Desde então, ela e parentes próximos passaram a conviver com ameaças. “Ele não aceitava o fim do relacionamento e passou a fazer ameaças a mim, à minha mãe e ao meu noivo. Ele é um louco de pedra. Procuramos a polícia e pedimos uma medida protetiva, mas eles disseram que não podiam fazer nada. Infelizmente, minha mãe morreu sem que ninguém fizesse nada para ajudá-la”, disse Natale Damasceno, filha da vítima. “O sistema não funciona. Fomos na DDM pedir uma medida protetiva, mas eles falaram para nós que não adiantava nada fazer Boletim de Ocorrência, que não iria proteger. Ele já tinha ameaçado minha sogra duas vezes e eu também”, disse Vinícius Massino de Oliveira, noivo da filha da vítima.
As ameaças foram cumpridas ao meio-dia. Maria Cristina estava sozinha em casa, quando o ex chegou e tocou o interfone. Ela abriu o portão para atendê-lo e foi recebida a balas. Levou tiros no ombro e pescoço. A vítima tentou correr para dentro e foi alvejada novamente nas costas. Caiu morta na garagem. Os bombeiros e socorristas do Samu foram acionados, mas não puderam fazer nada.
Após efetuar os disparos, Fábio encontrou-se com um vizinho na calçada e contou sobre o crime. “Ele me disse que havia atirado na mulher e que era para a gente socorrê-la.”
Em seguida, ele fugiu em um Santana. De posse das características do acusado, a Polícia Militar conseguiu identificá-lo e passou a procurá-lo em endereços onde poderia estar escondido. “Fomos até o local em que ele estaria residindo. No caminho, chegou a informação que ele havia disparado contra o próprio peito com a mesma arma. O autor foi socorrido com vida, mas acabou morrendo. A função da PM é a prevenção, mas, infelizmente, não conseguimos evitar a morte da senhora. Foi uma tragédia motivada por questão passional”, disse o capitão Waltercir.
A DDM informou que em seus registros não consta nenhuma denúncia contra o acusado. No 5º DP, delegacia responsável pelas ocorrências registradas na zona Norte de Franca, onde a vítima morava e foi morta, um BO contra Júnior foi registrado em novembro de 2014, mas por ameaças de morte feitas contra o noivo da filha da mulher assassinada por ele ontem.
Maria Cristina deixou três filhas. O corpo dela está no velório do Leporace e será sepultado hoje, às 10 horas, no Cemitério Santo Agostinho, com trabalhos da Funerária São Francisco.
Assista: