Camila Boehm
da Agência Brasil
A Polícia Militar (PM) atualizou para 51 o número de detidos na manifestação contra o aumento da tarifa dos transportes, feito ontem na região central de São Paulo. Segundo a Polícia Militar (PM), 2 mil pessoas participaram do ato. Já o Movimento Passe Livre (MPL), que organizou o evento, estima que 30 mil estavam presentes.
O MPL divulgou nota afirmando que a PM reprimiu o ato de forma violenta e “que lançou bombas de gás, bombas de estilhaço mutilante e atirou com balas de borracha para impedir que a marcha chegasse à Avenida Paulista”.
A passeata subiu a Rua da Consolação e, quando se aproximou da Avenida Paulista, por voltas das 19h30, houve confronto. As bombas de gás lacrimogêneo dispersaram os manifestantes. Alguns começaram a retornar pela mesma rua, em direção ao centro, outros correram pelas ruas transversais. Segundo o MPL, a PM perseguiu alguns manifestantes que seguiam agrupados, cercaram e fizeram prisões.
Em resposta, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) afirmou que “a PM atuou para garantir a segurança dos manifestantes e da população”. “[A PM] só agiu para conter aquelas pessoas que, lamentavelmente, agrediram policiais a pedradas, além de atacar estabelecimentos comerciais, bancos e veículos do transporte público”, completa a nota. Ainda segundo a SSP-SP, o uso de técnicas de dispersão foi necessário “para conter essas práticas criminosas”.
O aumento da tarifa nos transportes (metrô, trem e ônibus), de R$ 3 para R$ 3,50, entrou em vigor terça-feira (6). Em junho de 2013, diversas manifestações aconteceram na cidade por causa do anúncio de aumento das passagens de R$ 3 para R$ 3,20. A reação da população teve sucesso e o valor da passagem voltou a R$ 3.
NO RIO DE JANEIRO
A Estação Dom Pedro II da Central do Brasil foi ocupada no começo da noite de ontem por manifestantes que participavam da passeata contra o aumento da passagem de ônibus no Rio de Janeiro. Eles chegaram a se aproximar das catracas que dão acesso aos trens, mas não houve tentativas de pulá-las. Os ativistas deixaram o local por volta das 20 horas.
Durante a passeata, os manifestantes chegaram a anunciar que embarcariam de graça nos trens da SuperVia, mas desistiram com a forte presença policial na estação. Além dos ônibus, que tiveram reajuste para R$ 3,40, as passagens dos trens também vão subir para R$ 3,20 no mês que vem.
A passeata saiu da Cinelândia depois de uma votação que definiu seu trajeto e percorreu as ruas Araújo de Porto Alegre e Primeiro de Março. Depois, chegou à Avenida Presidente Vargas, quando os termômetros ainda marcavam 37 graus Celsius, com cerca de mil pessoas, segundo policiais que acompanhavam o ato. O Movimento Passe Livre (MPL) estimou cerca de 5 mil participantes.
A manifestação chegou a fechar três pistas da Avenida Presidente Vargas, deixando apenas uma liberada no sentido Candelária. Membro do MPL, José Antônio se disse surpreso com a quantidade de pessoas que aderiram à passeata: "Foi muito bom, melhor do que a gente esperava. A população recebeu bem o protesto", disse. Segundo ele, agora o MPL aguardará uma resposta do governo municipal. Outra manifestação está marcada para o dia 16, na Candelária, também no centro do Rio.
Em um dos poucos momentos de tensão, o protético Eron Morais, que se tornou um personagem das manifestações no Rio de Janeiro por se vestir de Batman, foi expulso ao tentar aderir à caminhada. Os manifestantes o chamaram de fascista e chegou a haver uma briga com um pequeno grupo de pessoas, com troca de agressões físicas. A rejeição, segundo manifestantes ouvidos pela Agência Brasil, se deu porque ele tirou fotos com o deputado federal Jair Bolsonaro em um protesto contra o governo federal.
O MPL quer que a passagem dos ônibus diminua para R$ 2,50, valor definido em um estudo do Tribunal de Contas do Município feito no ano passado. A passagem no Rio de Janeiro foi reajustada para R$ 3,40 no início deste mês, e, uma ação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro tenta anular o reajuste, limitando o valor a R$ 3,20.