08 de julho de 2026

Cuba reintegrada


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O reatamento das relações entre Estados Unidos e Cuba, patrocinado pelo papa Francisco, é das melhores notícias de 2014.

O processo levará meses, talvez anos até romper diferenças contabilizadas desde o bloqueio à ilha, em 1961.

De imediato, cidadãos cubanos e americanos e de 30 países, entre os quais o Brasil, poderão fazer negócios até agora proibidos.

É preciso eliminar do inconsciente cubano a idéia de que o regime bom era o da ilha e que os outros não prestavam.

Na prática, essa ‘verdade oficial’ é inconsistente. De outro lado, também é necessário acabar com idéias e teorias difundidas mundo afora de que Cuba é estado terrorista.

Há de se entender que toda a radicalização foi fruto da guerra fria, que partia o mundo entre direita e esquerda. Com a queda do muro de Berlim e o esfacelamento da União Soviética, desfizeram-se as forças que usavam Cuba como satélite no Caribe. Hoje, comunicações velozes e economia globalizada não dão lugar a regimes radicais.

No novo contexto, brasileiros precisam também esquecer radicalizações. Lançar no arquivo da história — ao lado da 2ª Guerra Mundial, Guerra do Paraguai e outros eventos de que participamos — a Revolução Cubana e as lutas aqui havidas nos anos 60/70, que na época tiveram participação direta ou indireta de Cuba. Compreender que aquele era um momento mundial diferente do atual e já produziu os seus efeito, descartando sonhos ou utopias. Os brasileiros e cubanos de então estão na faixa dos 60, 70, 80, 90 anos ou já morreram.

Para as novas gerações fica o legado e o direito de conviver enfrentando os desafios do presente e construindo o futuro. O passado é história e só serve para, observados os resultados, não se voltar a cometer erros, e, se possível, potencializar acertos.

Com Cuba reintegrada e sem bloqueio, o continente americano assumirá novas e melhores dimensões perante o mundo...

Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista