A Polícia Civil de Ibiraci (MG) prendeu e acusou dois lavradores de estarem envolvidos no assassinato do taxista Sebastião Vitor, de 61 anos. Ele foi encontrado carbonizado no porta malas do próprio carro e só foi reconhecido através da aliança, anéis e de uma pulseira.
O crime aconteceu no dia 25 de novembro e chocou os moradores da cidade. Os lavradores José Jesus Santos, 46, e José Mendes Santos, 48, foram presos na noite de terça-feira, 9, em cumprimento a mandado expedido pela Justiça. A motivação do crime é passional, segundo o apurado pela investigação, pois a vítima teria um caso com a mulher de José Mendes dos Santos.
A PM encontrou o carro em chamas por volta das 22 horas do dia citado na estrada que liga Ibiraci ao bairro rural do Aterradinho. O corpo estava queimado na parte traseira. Os números da placa levaram os policiais a suspeitarem tratar-se do taxista residente no município. Familiares fizeram o reconhecimento do corpo por meio dos objetos pessoais.
A mulher da vítima disse aos policiais que ele saiu no começo da noite para levar um passageiro em uma igreja na zona rural no sentido de Claraval (MG) e voltou para casa em seguida. Após jantar, saiu novamente dizendo que iria buscar o mesmo cliente. Foi a última vez que os familiares tiveram notícias dele.
Como o taxista não tinha passagens pela polícia, não havia recebido ameaças e não foram levados objetos pessoais, a polícia logo descartou a possibilidade de um latrocínio e passou a direcionar as investigações na linha de um crime passional.
O passageiro que requisitou a suposta corrida - um dos lavradores residentes na cidade - passou a ser considerado o principal suspeito. “Apuramos que a vítima tinha uma relação extraconjugal com a companheira de um dos acusados (José Mendes)”, contou o delegado Estevan Ferreira Pauliquevis. Essa teria sido a motivação do crime.
Os dois são oriundos da Bahia e há tempos moram em Ibiraci trabalhando na lavoura. Ambos foram presos durante ação conjunta das Polícias Civil e Militar. José Jesus estava na cidade, enquanto José Mendes encontrava-se na zona rural. Com ele, foi apreendida uma espingarda calibre 36. “Eles relutaram em confessar, mas as provas produzidas no inquérito são suficientes para que sejam indiciados e submetidos a júri popular”, esclareceu o delegado de forma sucinta e sem esclarecer quais provas constam no inquérito aberto.
Como o corpo da vítima estava carbonizado, laudos periciais não elucidaram o exato momento da morte. “Não foi possível concluir se mataram (a vítima) por meio de ação contundente para, depois, colocar fogo (no corpo) ou se o queimaram vivo”, disse o delegado mineiro. Os dois acusados seguem recolhidos na cadeia pública de Ibiraci uma vez que a preventiva está decretada. O inquérito ainda será concluído e resta determinar a ação de cada um dos envolvidos no homicídio.