GCN encomenda ao Instituto Datalink pesquisa inédita que revela as principais mudanças que os francanos gostariam de ver em três das principais praças da cidade.
Um espaço público e gratuito de lazer, repouso, entretenimento e funcional. Ora um ponto de encontro entre conhecidos, ora uma mera e agradável passagem cotidiana. Se quiser um gole d’água, tem. Se precisar de um toalete, ali está. A sombra das árvores traz um respiro de natureza em meio à cidade. E se chover? Sem problemas. Coberturas metálicas e bancos oferecem abrigo confortável para quem aguarda um ônibus, um taxi, um amigo. Nas profundezas do óbvio o conceito de praça pública é assim. Mas a realidade é bem diferente.
Pesquisa inédita realizada pelo o Instituto Datalink - Pesquisa de Mercado e Opinião -, encomendada pelo GCN Comunicação, mostra as mudanças e melhorias que os francanos gostariam de ver em três das principais praças locais: ”Sabino Loureiro“ (a praça da Estação), a praça do Itaú e o terminal ”Ayrton Senna“. Foram ouvidas mais de 1 mil pessoas que usam esses espaços coletivos diariamente.
Para completar o estudo , o geógrafo e engenheiro Max Engler elaborou projetos-conceitos em 3D - que você confere nesta e nas próximas páginas junto a imagens reais - de como ficariam essas praças se o poder público decidisse acatar a vontade popular.
PRAÇA 'SABINO LOUREIRO'
Na praça "Sabino Loureiro" é um exercício de memória para os transeuntes se atentarem à bonita história que guarda o local. O coreto e o as paisagens que o circundam, se outrora uniram corações, fomentaram amizades e brindaram os francanos com momentos de prazer, hoje despertam o desejo de mudança. O povo quer beleza no cotidiano e cuidado com os pormenores - segundo a pesquisa, 43% dos francanos classificam a "Sabino Loureiro" atualmente como "feia, desleixada e decadente".
Usuária do local, a serviços gerais Amélia Lima, 54, faz coro à opinião coletiva e afirma que em "seus tempos de moça" não era assim. "Hoje eu passo só para pegar o ônibus, mas a gente vinha para passear antigamente. O povão acaba com tudo, suja tudo", reclama.
O dia chuvoso a levou a reclamar também que a única utilidade que vê na praça atualmente não a satisfaz. "A gente tem que ficar com a sombrinha aberta esperando o ônibus porque não tem uma cobertura de acordo." Aumentar a cobertura dos pontos de ônibus da praça, aliás, é a sugestão de 35,9% dos entrevistados pelo Datalink.
As reclamações mais insistentes incluem ainda a falta de banheiro e as condições dos bancos, lixeiras e bebedouros, entre outros aspectos - muitos deles indo ao encontro também do que a arquiteta e ex-secretária de Planejamento Urbano, Valéria Marson, concluiu há algum tempo: a necessidade de revitalização do local (e também do prédio da antiga estação ferroviária da Mogiana).
"Praça tem que ter gente, mas é preciso dar as condições adequadas para que ela seja frequentada. As pessoas precisam beber água, precisam de bons bancos para se sentarem e precisa ter uma boa iluminação. Inclusive, em uma proposta de emenda na Câmara, sugiro que todas as praças tenham iluminação de LED, para economizar e iluminar mais", disse a arquiteta, que é vereadora.
Outra questão que chama a atenção na pesquisa é o índice de usuários que afirmaram que o que gostariam de "excluir" da praça são os mendigos, moradores de rua, usuários de drogas e "cachaceiros": 47,9% fizeram estas menções. "Isso é questão social. Não adianta levar para o abrigo, dar banho e por na rua. Tem que ter um trabalho social para solucionar esse problema", disse Valéria.
A arquiteta cita ainda que considera Franca uma cidade com pouca arborização, o que poderia ser corrigido em praças como a "Sabino Loureiro". A observação é pertinente, já que as sombras das árvores e a vegetação do local foram apontadas na pesquisa como o primeiro aspecto mais valorizado pelos usuários da praça (35,9%). "Quanto mais sombra, melhor. O ideal seria fazer um boulevar, unindo a praça e a Estação Mogiana, transformando aquele espaço realmente em um centro cultural", disse.
Na seara positiva, dentre as citações feitas pelos entrevistados está a presença do histórico coreto, que deve ser mantido e destacado. A preservação patrimonial, aliada às preocupações acerca do espaço urbano, seu uso e arquitetura formam um conjunto que balizou o trabalho do geógrafo e engenheiro urbano, especialista em planejamento urbano e desenvolvimento territorial, Max Engler, que deu forma aos resultados da pesquisa do Datalink através de projeções tridimensionais que buscaram traduzir as propostas de reestruturação sugeridas pelos francanos.
O profissional ressalta que um dos pontos altos para atender aos anseios populares seria a valorização do coreto central, uma vez que o mesmo é patrimônio municipal e confere à praça importância histórica. Uma organização visual seria igualmente bem-vinda. "É possível perceber nesta praça que a identidade (essência) está confusa no espaço. A praça do coreto se confunde com toda a estação, com o terminal ali presente e com as calçadas dos comércios, não se sabe ao certo, onde começa um e termina o outro", disse. Corrigir e valorizar o local, segundo o profissional, resgatará a significação real da praça.
PRAÇA DO ITAÚ
Na praça do Itaú, a "voz do povo" pede uma setorização dos elementos que a compõem. Isso inclui desfazer a miscelânea de recreação e praticidade existente. A pesquisa mostra que a demanda coletiva pede pelo simples, mas funcional. Vinte oito por cento dos entrevistados afirmaram que a padronização das barracas dos camelôs iria conferir melhoras para o local.
Desta forma, a saída para um upgrade apresentada nos projetos tridimensionais seria organizar lazer, descanso, comércio, alimentação e circulação. "Isso passa pela organização das barracas de alimentação e das barracas de produtos por setor. A criação de um espaço para apresentações artísticas e de um espaço de convivência com bancos, lixeiras, bebedouros, banheiro público e vegetação ajudariam a praça do Itaú a cumprir muito melhor as suas funções", disse Max Engler.
Um dos usuários habituais do espaço, Rogério Ribeiro, 64, disse não ter dúvidas de que o grande problema de lá ultrapassa a estética: é a falta de banheiros públicos e questões relacionadas à higiene. "O banheiro seria útil também para ter mais higiene, porque muita gente come por aqui e não tem nem onde lavar as mãos direito." Ribeiro e 60,9% das pessoas ouvidas na entrevista pensam de forma parecida e citam o banheiro como primeiro item a ser incluído na praça para que ela tenha ganhos.
TERMINAL 'AYRTON SENNA'
No terminal "Ayrton Senna", a pesquisa apontou que o dueto funcionalidade e estética que vigora atualmente vai ao encontro do gosto popular no conjunto e na maioria dos elementos instalados. Por ser uma praça de circulação, as pessoas não permanecem ali por tempo extenso e as melhorias requeridas passeiam mais pelo âmbito do acolhimento, incluindo a ampliação dos assentos (12,9%) e a reforma do telhado para evitar goteiras (7,2%).
Este, inclusive, foi o apontamento feito pela estudante Mariane Pinheiro, 18, que aguardava o ônibus que a levaria para a casa em uma tarde de novembro, desviando das goteiras enquanto conversava com a reportagem. "Acho que o principal é fazer manutenção dessa cobertura", disse.
A qualidade da informação é outra questão importante em um terminal de ônibus. Nove por cento dos entrevistados citaram que gostariam que o local contasse com placas eletrônicas, luminosas, mais chamativas e visíveis. "A presença de relógios eletrônicos e a grande ampliação de mapas de linhas e destinos facilitariam muito a localização do passageiro dentro do terminal", disse Max Engler.
A segurança no trânsito, aspecto importante a ser considerado em uma praça de terminal de ônibus, nas maquetes criadas, aparece valorizada com a instalação de faixas de pedestres elevadas e rampas de acessibilidade.
PESQUISA INOVADORA
Iluminação, arborização, limpeza, organização, estética e funcionalidade com a cara e o jeito do francano. A pesquisa que revelou o gosto dos moradores de Franca sobre como gostariam que fossem alguns espaços de uso público foi desenvolvida pelo Instituto Datalink - Pesquisa de Mercado e Opinião - a pedido do GCN. A partir do resultado, o terminal "Ayrton Senna", a praça "Sabino Loureiro" (a praça da Estação) e a praça do Itaú ganharam cara nova através de projetos experimentais simulados em maquetes.
O levantamento junto à população foi feito em setembro e outubro passados. Pesquisas quantitativas foram realizadas em campo com uma amostra de 1.152 entrevistas - 384 em cada espaço público estudado. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro está estimada em 5 pontos percentuais para mais ou para menos. A técnica de abordagem foi pessoal (face to face) e não houve divisão prévia em cotas por sexo e idade. "Bastava ser usuário da praça para ser ouvido", disse o coordenador técnico da pesquisa, Raphael Ferreira de Barros Filho.
Cada participante respondeu a um questionário estruturado por perguntas abertas e fechadas, com tempo médio de seis minutos para aplicação. Diante dos resultados do levantamento, os pesquisadores consideraram que as pessoas gostariam de alterações relativamente fáceis. "São simples de serem feitas, mas teriam impactos muito positivos no uso destas praças", disse o autor das maquetes, Max Engler.
O investimento financeiro necessário para que as praças estudadas passassem por reformas e recebessem os equipamentos e itens sugeridos nos projetos não é de grande ordem, segundo Max Engler. "Fizemos algumas análises e acreditamos que, pelo fato de não considerar modificações nas estruturas básicas das praças, este valor poderia variar entre R$ 60 mil e R$ 80 mil na praça "Sabino Loureiro" e o mesmo valor no terminal. Na praça do Itaú, o investimento seria de R$ 80 mil a R$ 100 mil", disse.
Colaboraram com Max Engler no desenvolvimento dos projetos propostos e das maquetes das praças os alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifran Luís Felipe Garcia, Raíssa Jareta e Ana Laura Silva.
ENQUETE
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