10 de julho de 2026

Jovem com câncer terminal decide morrer em 1º de novembro; entenda


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Brittany Maynard, estadunidense de 29 anos, sofre de câncer cerebral e se encontra no estado terminal da doença. Apesar de se submeter ao pesado tratamento contra a doença, sua saúde continua a piorar. "Depois de meses de pesquisas, minha família e eu chegamos a uma conclusão dolorosa: não existe um tratamento que possa salvar minha vida, e os tratamentos que me foram recomendados destruiriam o tempo que me resta", disse Maynard em um artigo à CNN.

O organismo da jovem criou certa resistência aos medicamentos, o que vem lhe causando dores terríveis e sofrimento constante. "Posso desenvolver resistência à morfina e sofrer mudanças de personalidade, além de perdas verbais, cognitivas e motoras", continuou.

"E, como o resto do meu corpo é jovem e saudável, posso vir a sobreviver fisicamente por um longo período, mesmo que o câncer já tenha destruído minha mente. Provavelmente, passaria semanas ou até meses sofrendo no hospital. E minha família teria de assistir a isso”, disse a jovem.

Por isso, Maynard escolheu pelo que ela afirma ser a única opção para acabar com seu sofrimento. Ela pediu à Justiça a autorização para um procedimento de eutanásia. O primeiro passo, foi ela e o marido se mudarem para Oregon, um dos cinco estados estadunidenses que o procedimento é permitido.

O segundo passo foi ela provar que teria menos de seis meses para que sua mente fosse destruída pela doença, já que seu corpo, como é jovem, poderia mantê-la viva por mais tempo, prolongando seu sofrimento e o de sua família.

Maynard conseguiu a autorização da Justiça de Oregon e possui a receita de drogas a serem ministradas para a eutanásia. No artigo, a jovem revelou que pretende dar fim ao sofrimento no dia 1º de novembro, dois dias depois do aniversário de seu marido.

Através de um vídeo publicado no Youtube, Maynard lançou uma campanha para conscientizar a sociedade sobre a eutanásia e também para que outros sofredores crônicos conquistem o direito de, como ela, receber o parecer positivo da Justiça de morrer “nos próprios termos”.

Repercussão do caso
"Talvez Maynard não leve seu plano a cabo no dia 1º de novembro. Estatisticamente, a maioria dos que obtêm medicamentos para dar fim à própria vida não os utiliza, embora quase todos relatem sentir-se tranquilos sabendo que têm os comprimidos em mãos", escreveu Meghan Dawn no jornal Los Angeles Times.

"Uma geração inteira está agora olhando para Brittany e se perguntando por que seus Estados não permitem que médicos receitem doses letais de drogas para quem está morrendo", escreveu a BBC News o especialista em bioética Arthur Caplan.

Já o blogueiro Matt Walsh revelou preocupação sobre a repercussão do caso. "Fico aterrorizado ao pensar que meus filhos crescerão em uma cultura que venera abertamente o suicídio, com tanta paixão". Ele também levantou uma questão interessante. "Se você está dizendo que é digno e corajoso que uma paciente com câncer se mate, o que você está dizendo aos pacientes que não se matam?".

A paciente Kara Tippetts escreveu uma carta aberta a Maynard pedindo para que ela não dê continuidade ao procedimento. "O sofrimento não é a ausência do bem, não é a ausência da beleza, mas talvez possa ser o lugar onde a beleza verdadeira possa ser conhecida", disse na carta. "Contaram uma mentira para você, uma horrível mentira ao dizerem que a sua morte não será bonita, que o sofrimento será grande demais",
completou.

Veja o vídeo em que Brittany Maynard explica o porque da sua decisão pela eutanásia: