08 de julho de 2026

Custo Brasil


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Muito se tem falado a respeito do chamado ‘Custo Brasil’: é elevado, influi negativamente no movimento das exportações, inibe o desempenho dos setores produtivos nacionais, enfim, corrói as possibilidades de crescimento da economia brasileira. Outros países desenvolvidos e emergentes também padeceriam desse mesmo mal? Aparentemente, não. O que devemos entender por esse custo e quais são as razões para o alarde em torno dele?

A expressão ‘Custo Brasil’, na realidade, é conceito abstrato criado para sintetizar analiticamente quanto custa produzir no país, seja na indústria, na agricultura e até nos serviços. Quais são os elementos que tornam esse custo conceitual, mas real, tão elevado e tão pernicioso para os negócios domésticos e com o resto do mundo? Simplesmente, ele encarece demais o produto brasileiro!

Na sua composição entra um vasto conjunto de ineficiências, no qual sobressai, de cara, a baixa produtividade dos fatores de produção, fruto da carência de inovações. Depois vem o perverso e altamente complexo sistema tributário. Perverso por que a carga tributária que impõe às pessoas físicas e jurídicas é elevadíssima; estimativas indicam que ela está por volta de 36% do PIB. Complexo pela burocracia que o estrutura, que exige e obriga os contribuintes a fazer malabarismos — e até contratar assessorias —- para entendê-lo e cumprir as obrigações que estabelece.

Há, ainda, a escassez de mão de obra qualificada, que o setor educacional é incapaz de formar, e os problemas de logística, que dificulta e encarece a circulação pelo país dos bens produzidos e cria obstáculos para a produção agrícola exportável chegar aos portos. No início do ano, assistimos ao drama dos produtores de soja para levá-la até Paranaguá e Santos. Por fim, a inabilidade governamental, tanto na adoção da política econômica mais adequada para o crescimento sustentável da economia, como no gerenciamento de projetos estratégicos ou na gestão temerária de grandes empresas estatais. Tudo isso forma o desprezível ‘Custo Brasil’.

Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP