Policial Militar é acusado de agredir dois taxistas em Franca
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Imagem de arquivo da fachada da 5ª Cia da PM
A Polícia Civil de Franca está investigando casos de agressão envolvendo dois taxistas diferentes, mas cometidos pelo mesmo autor, um cabo da Polícia Militar lotado na 5ª Companhia, ao lado do Parque de Exposições “Fernando Costa”. A reportagem conversou com as supostas vítimas, que relatam apreensão e medo pelo que pode acontecer agora que o policial foi denunciado.
Da mesma forma, o Comércio procurou pelo policial citado pelos taxistas na sede da 5ª Companhia, antes de a Polícia Militar o proibir de falar, segundo nota enviada pelo comando do 15º Batalhão, por meio do Setor de Comunicação e assinada pelo tenente Jean Gustavo Cintra.
O caso narrado pela primeira vítima data de três meses atrás. Segundo conta o taxista Tales Lana Bueno de Oliveira, 33, na noite do dia 13 de junho, poucos minutos antes da meia-noite de uma sexta-feira, ele tinha acabado de atender a um chamado e apanhado duas passageiras para levá-las a um bar na região do Franca Shopping. Em dado momento, ele foi parado por policiais militares que estavam em uma viatura (nº 15510) na avenida Wilson Sábio de Melo, no Distrito Industrial, próximo à Escola Pestalozzi.
Nesse ponto, os ocupantes foram obrigados a sair do táxi. As duas moças ficaram mais distantes, de frente para o muro de uma empresa, enquanto Oliveira permeneneu sobre a calçada, mais próximo à rua.
O Comércio teve acesso às imagens do circuito de segurança de uma empresa próxima ao local onde a abordagem foi feita. Obtida por Tales Oliveira, ela foi o principal objeto de denúncia contra o policial militar, cuja cópia foi retida pela PM para perícia.
Com boa definição, nas imagens é possível ver claramente que, enquanto as duas passageiras são afastadas, o segundo policial fica mais distante do colega e do taxista. Seu nome não foi informado. O cabo denunciado, cujo envolvimento é confirmado pela PM, passa então a fazer uma revista pessoal em Tales Oliveira, que está com as mãos cruzadas sobre a cabeça.
Em determinado ponto do vídeo, o PM chuta as pernas de Oliveira. Nesse momento, o taxista disse que usava uma prótese na perna, o que não sensibilizou o policial.
Poucos segundos depois, o cabo, que estava atrás do taxista, desfere um forte tapa no rosto do motorista. O policial, no entanto, continuou a revista. Voltando-se para o táxi, passou a vasculhar o carro com a ajuda do companheiro de viatura que em determinado momento o auxiliou com uma lanterna. “Nessa hora, ele (policial) disse que se eu me virasse, ele ia me arrebentar”, disse o taxista.
Não é possível ouvir nada, pois a câmera não oferecia recursos de áudio. Ao liberar o taxista e as passageiras, o enquadramento mostra o veículo partindo enquanto a dupla de policiais para um motociclista.
Perseguição
Duas horas mais tarde, ao passar pela mesma avenida, no sentido contrário ao Franca Shopping, o taxista Tales Oliveira disse que se deparou novamente com a mesma viatura e dupla de policiais.
De acordo com ele, em entrevista gravada, os policiais passaram a segui-lo. Nervoso, Oliveira conta que se dirigiu ao Posto Select, no Parque Progresso, onde entrou na loja de conveniência. O policial também teria entrado atrás.
Ainda segundo o taxista, o policial se aproximou e o advertiu para que o ocorrido no Distrito Industrial não “saísse de lá porque algo pior poderia acontecer”. Depois de 15 minutos, o policial deixou o local.
Atrás das imagens que pudessem confirmar a versão do taxista, o Comércio foi até o posto, onde o gerente disse que não tinha certeza de que o sistema ainda guardasse o vídeo, já que o disco de armazenamento volta ao ponto inicial de gravação assim que fica cheio. Ainda assim, disse o gerente, a empresa só passaria cópias se houvesse uma ordem judicial.
Na segunda-feira, 16 de junho, Tales Oliveira procurou o comando da 5ª Companhia onde foi ouvido pelo capitão Watercir da Silva Marques. A reportagem procurou pelo oficial. Nas duas primeiras vezes, ele estava de férias. Posteriormente, na sexta-feira, a informação é que não estava na unidade. A reportagem deixou telefones e pediu retorno, mas isso não ocorreu.
O motorista Tales, que é pai de seis filhos, disse que está com medo de encontrar o policial novamente, mas que não podia deixar de levar a denúncia adiante. “Tenho medo, mas quero dizer que ele agrediu um pai de família, não um vagabundo”, disse. “Eu vivo para alimentar os meus filhos e não vou descansar”, disse Oliveira. “Nem que eu estivesse completamente errado, que fosse um bandido, ele poderia ter feito o que fez”, acrescentou, alegando que perdeu parte da visão do olho direito após a agressão.