10 de julho de 2026

Jovem sofre bullying e diretor aconselha a mãe a tirá-la da escola em Piracicaba


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Foto: Fernanda Zanetti/G1

A vendedora Cláudia de Almeida Martins Rodrigues, mãe de uma garota de 12 anos que pesa 146 quilos, ao reclamar do bullying que a garota vem sofrendo na Escola Estadual Pedro de Mello, no distrito de Tupi, na zona rural de Piracicaba (SP), foi surpreendida com a resposta dada pela direção da instituição de ensino.

Segundo ela, o diretor da instituição teria aconselhado a mãe a trocar a filha de escola. “Eu me senti ofendida. Minha filha é obesa e hipertensa, mas faz o controle com medicamentos. Isso não justifica um pedido desses", disse a vendedora.

A Secretaria Estadual de Educação exigiu um laudo médico para avaliar as condições de saúde da jovem, além de um termo de responsabilidade para que ela pudesse frequentar as atividades esportivas já que a menina apresentava “comportamento ofegante, chamando a atenção por ser fora do normal”.

Cláudia apresentou um laudo assinado por um profissional da Unicamp, local em que a garota tem acompanhamento mensal. “A paciente não apresenta contraindicação para atividades escolares, mas tem limitações temporárias para atividades físicas até o controle da pressão arterial”, dizia o documento.

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação explicaram que as exigências foram feitas para o próprio bem-estar da jovem. “Como a aluna apresentava dificuldades no desenvolvimento de atividades físicas, a escola indicou que a mãe a encaminhasse para avaliação médica a fim de verificar as suas condições de saúde. A escola acatou a orientação médica, a adolescente não frequenta mais as aulas de educação física e a equipe gestora continua a acompanhar a estudante e sua família”.

Em entrevista ao G1, Claudia afirmou que a filha é alvo constante de ofensas de alunos por conta de sua condição física. “Os outros alunos a chamam de 'gorda', 'baleia' e dizem que ela não 'vai passar na porta do ônibus', mas o que mais me incomoda é o fato de o próprio diretor da instituição me orientar a retirá-la da escola. Sei que ela chama atenção por ser grande, mas minha filha não é nenhum 'monstro'. É uma criança como qualquer outra”, relatou a mãe.

Em uma das ofensas a irmã da jovem acabou suspensa por agredir um menino que a ofendeu. “"Foi a segunda vez que o menino ofendeu a minha irmã, por isso não aguentei. Sei que não é o correto bater e nunca tinha feito isso, mas também não é justo ofendê-la daquela maneira", desabafou a garota de 13 anos ao G1.