O presidente do Sindicato Rural de Patrocínio, Irineu de Andrade Monteiro, diz que a extensa área agrícola facilita os roubos
A ação de bandidos com o uso de violência e armas de fogo tem tirado o sono dos produtores rurais de Patrocínio Paulista e região. O medo se alastrou depois que os ladrões deixaram de ter o gado e as galinhas como alvos e passaram a focar mais no roubo de maquinários e defensivos agrícolas. Só na madrugada da última segunda-feira, 21, uma família foi feita refém por uma quadrilha fortemente armada que levou da propriedade dois carros, quatro tratores, equipamentos eletrônicos, além de implementos e defensivos de uso no campo.
Para despistar a polícia, os ladrões usam o trote por telefone e agem com informações privilegiadas e conhecimento do local. Segundo o presidente do Sindicato Rural de Patrocínio, Irineu de Andrade Monteiro, a extensa área agrícola e a facilidade de fuga, por meio de estradas asfaltadas, também colaboram para as ocorrências. “Não culpo a Polícia e, sim, a falta de estrutura do Estado, pois a patrulha rural existente é insuficiente e a comunicação precária. Temos 66 mil hectares de zona rural e poucos policiais.” Em Patrocínio Paulista há 700 propriedades rurais, muitas distantes mais de 30 quilômetros da cidade.
Apesar de não haver registros oficiais de quantas propriedades foram invadidas, Monteiro calcula que nos últimos cinco anos ao menos 30 fazendas e sítios já tiveram a visita de bandidos. “Todo dia, praticamente, temos notícias de alguém que foi roubado, porém, muitos desistem de procurar a polícia com medo de a ação se repetir.”
De acordo com o presidente do Sindicato Rural, no lugar de galinhas e cabeças de gado, os bandidos buscam por fios de cobre, transformadores de energia, resfriadores de leite, equipamentos para ordenha, tratores, além de adubos e outros venenos utilizados em plantações. Com a mudança de perfil dos itens a serem subtraídos, médias e grandes propriedades de café, cana e laranja também passaram a despertar mais interesse em comparação com sítios e pequenas fazendas.
Vizinho de propriedades que já foram assaltadas, o administrador rural José Mauro Barcelos, mais conhecido como “Nenê”, disse que tem se “recolhido” mais cedo e evitado deixar máquinas e outros equipamentos rurais expostos. “A gente fica com medo e se tranca. Guardamos tudo o que podemos e, durante a noite, só abro a porta para conhecidos.” Até mesmo o café, cultivado na propriedade, ganhou outro destino após a secagem. “Antes o café ficava aqui mesmo, agora o pessoal leva para a cidade. Fazemos de tudo para não atrair os bandidos.”
Em uma outra fazenda, em Itirapuã, nem mesmo a presença de câmeras inibiu a entrada dos ladrões em duas ocasiões diferentes. O último roubo ocorreu em dezembro do ano passado, em pleno dia de Natal. O proprietário Maurílio Figueiredo disse que as imagens mostram o bandido de frente e retirando peças centenárias da propriedade, que possui um engenho de cachaça. “Mesmo com a filmagem das duas ações, não conseguiram identificar os ladrões. Estamos sem policiamento e à mercê dos bandidos. Também por ser uma região de fronteira com Minas Gerais, o trabalho da polícia fica mais difícil e os produtores rurais mais vulneráveis, sem respaldo.”