Matos e sujeira se acumulam nos corredores entre os túmulos no cemitério, que é um dos três existentes na cidade
A vida que frequenta o Cemitério da Saudade, encravado em pleno Centro de Franca, tem deixado seus rastros no espaço destinado ao descanso dos mortos. As 7.332 sepulturas existentes hoje no local estão em meio a sacolas plásticas, garrafas, entulho e muito mato. Inaugurado em 1856, o Cemitério possui hoje muitas lápides que aparentam abandono, e estão com imagens, enfeites, alças e esculturas quebradas ou que chegaram até a ser arrancadas.
A imagem que se vê quando se caminha pelo corredor central do Cemitério da Saudade não é a mesma entre as sepulturas. Os corredores ao redor das lápides são feitos em sua maioria de terra batida ou, quando tem cimento, o piso muitas vezes está quebrado ou desnivelado. Amontoados de folhas secas ocupam os corredores e se misturam a restos de tijolos e cimento, dificultando a passagem entre os túmulos que já é bastante estreita.
Outra cena corriqueira em diversos pontos do cemitério são as flores secas espalhadas pelo chão e vasos com flores de plástico caídos no piso do local. Garrafas de bebidas, vassouras sem cabo, sacos plásticos e maços e bitucas de cigarro também são comumente encontrados. Sem contar uma vegetação que aproveita o chão de terra e a falta de cuidado para crescer e rodear os jazigos.
A dona de casa Maria Oliveira, 71, costuma ir ao Cemitério da Saudade pelo menos duas vezes por mês para visitar o túmulo de seus pais. “Hoje está até limpo aqui no meio, mas quando você anda pelos túmulos vê que está muito sujo. Mando limpar sempre o túmulo dos meus pais, mas não adianta muito porque ao redor continua sujo”, disse.
Mortos esquecidos
O estado dos próprios túmulos também colabora para piorar a situação no Cemitério da Saudade. Muitas lápides aparentam não receber visita ou cuidado há muito tempo. Algumas estão com as tampas quebradas e acumulam lixos, como garrafas plásticas, em seu interior. Elas parecem ser usadas como lixeiras.
Há ainda jazigos com suas estátuas e cruzes quebradas. Outros tantos estão sujos, desgastados e até com moscas ao redor e passam uma sensação de abandono. Sem contar os vasos fixos vazios que acumulam água e se tornam potenciais criadouros para o mosquito da dengue.
Um dos cuidadores de túmulos que trabalham no Cemitério da Saudade, contratado de forma particular pelas famílias, disse que os parentes só lembram dos túmulos nos dias próximos ao feriado de Finados. “Alguns ainda limpam uma vez por ano, mas muitos ficam largados, o que dá margem para vândalos virem e roubarem as peças. Tem muito entulho também que é deixado quando abrem o túmulo para enterrar alguém”, disse ele, que pediu para não ser identificado.
Outro lado
A Secretaria de Serviços e Meio Ambiente é o órgão responsável pela manutenção das áreas comuns do Cemitério da Saudade. Segundo a Prefeitura, a limpeza do lugar é feita pelos próprios coveiros e ocorre diariamente. A assessoria de comunicação não informou o número de servidores que trabalham no local atualmente.
Já a manutenção das sepulturas é de responsabilidade dos próprios proprietários. Segundo a Prefeitura, as famílias são notificadas quanto à necessidade de fazer a limpeza e manutenção das sepulturas. O órgão não informou se os proprietários recebem alguma punição caso não atendam à notificação.