A sucateira Irma Cáceres, 64, luta há 48 anos para manter sua casa, às margens do Córrego Engenho Queimado, na Vila São Sebastião, em pé. Ela e outros moradores já viveram momentos de pavor nos imóveis erguidos sobre um terreno instável e sujeito a erosão. Em janeiro de 2010 uma forte chuva arrastou 40 metros do terreno onde algumas casas foram construídas e chamou a atenção do poder público municipal, que prometeu agir. Mesmo assim, só em novembro do ano passado, quase quatro anos após o acontecimento, as obras de revitalização no local foram iniciadas, mas ainda deixam os moradores da área insatisfeitos.
Durante o Hora da Verdade Itinerante do dia 30 de maio, apresentado ao vivo de uma praça da Vila São Sebastião pelos jornalistas Leandro Vaz e Corrêa Neves Júnior - comentarista, a população local criticou a Prefeitura de Franca e as obras. Dona Irma não se conforma com o modo como os serviços estão sendo executados. Atualmente, pedras e telas já foram fixadas no início do córrego, mas um extenso barranco, que deve receber gramas e árvores, continua sujeito a erosão. “Eles arrumaram lá em baixo, mas aqui em cima continuou do mesmo jeito. Se não tomarem providências rápidas vai desbarrancar do mesmo jeito quando chover. Um dia conversei com o chefe das obras e ele disse que vão plantar gramas, árvores e colocar banco para o povo se sentar aqui, mas quero saber: quando vão fazer isto? Até eles resolverem, a água já levou tudo, inclusive a minha casa”, disse a sucateira, ao mostrar o imóvel rente ao “barrancão”.
Durante o lançamento do projeto, em setembro do ano passado no Centro Comunitário da Vila São Sebastião, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) disse que a revitalização previa também uma integração social e devido a isso beneficiaria 86 famílias carentes que moram na região com a doação de casas, mas segundo a sapateira Leidiane Vieira, a promessa ainda não foi cumprida. “Eles estão enrolando muito a gente sobre as casinhas. A gente fica com o sentimento de que elas não vão sair nada e tudo é apenas uma ilusão. Reunimos no Centro Comunitário com a Prefeitura, mas não vira nada.”
A revitalização do córrego Engenho Queimado está orçada em R$ 19 milhões e conta com recursos do Governo Federal, através do PAC II (Programa de Aceleração do Crescimento). Quando o projeto foi lançado, a previsão era de que as obras gastassem dois anos para serem concluídas.
Lixo x lazer
Durante as duas horas de transmissão do Hora da Verdade ao vivo da Vila São Sebastião foi possível presenciar o que os moradores do bairro vivem constantemente. O programa foi transmitido da Praça Presbítero Olintho Pinto Coelho . Um local tomado pelo mato, lixo, brinquedos sem condições de uso e ainda o mau cheiro de um cachorro jogado na praça que é utilizada como passagem de crianças no trajeto para a escola. “Já faz muito tempo que a Prefeitura não limpa. Faz uns 15 dias que tem um cachorro morto ali no canto. No começo da semana passei aqui e deu até ânsia de vômito por causa do cheiro”, disse a sapateira Evanilda Ferreira.
Mesmo sem manutenção, a praça é o único “ponto de lazer” do bairro. Os moradores relatam que crianças já se machucaram nos brinquedos. Ao lado há também uma quadra, mas com um buraco no alambrado e sem pintura.
Além da praça, um terreno localizado no final da rua Amélio Borges Campos é motivo de reclamação. Os vizinhos do local não suportam mais a constante presença de bichos em suas casas devido ao mato alto e a sujeira da área.
Trânsito
O trânsito também gera preocupação no bairro. O diretor do Centro Comunitário da Vila São Sebastião, Osmar Júlio, acompanhou o programa da rádio Difusora e pediu melhorias na rua Amélio Borges Campos. Segundo eles, os veículos circulam em alta velocidade no local utilizado como passagem de crianças. “Já mandamos diversos ofícios para a Prefeitura sobre a situação desta rua. Isto virou uma pista de corrida. As crianças saem da escola e passam por aqui correndo. Direto os veículos freiam em cima delas. Aqui precisaria no mínimo de um semáforo no cruzamento com a rua Sudário José da Silva, mas o prefeito não olha para cá. A Vila São Sebastião está abandonada.”
Saúde
A dificuldade em agendar consultas em UBS’s (Unidades Básicas de Saúde) também acontece na unidade da Vila São Sebastião. São longas filas e espera. “Está praticamente impossível agendar consulta. É só uma vez por mês. Temos que madrugar na UBS, enfrentar uma fila enorme para quase sempre escutar que não será possível agendar”, disse a vendedora Aparecida dos Santos.
Segurança
Outro ponto que gera muita reclamação é em relação à segurança no bairro. Os moradores se dizem discriminados. “Todos criticam nosso bairro. Na minha opinião é falta do poder público investir mais aqui. Sabemos que realmente tem pessoas envolvidas com coisas ruins, mas não são todas. A polícia só vem quando há ocorrência e aí vira aquela multidão”, disse um morador que preferiu não se identificar.
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