Estudantes da Faculdade de Direito de Franca ocupam parte da avenida Presidente Vargas em caminhada rumo à Prefeitura. Ao fundo, policiais militares organizam o trânsito de veículos na via
Universitários da FDF (Faculdade de Direito de Franca) continuam reivindicando melhorias no ensino e maior representatividade nas decisões coletivas da instituição. Na manhã de ontem, cerca de 150 estudantes marcharam por avenidas da cidade com cartazes e gritando palavras de ordem. O destino final foi o Paço Municipal. Segundos os universitários, o objetivo era chamar a atenção para os problemas da instituição e pedir ajuda do Executivo, tendo em vista que a FDF é uma autarquia municipal, mas segundo o diretor da instituição, Décio Piola, sobrevive apenas das mensalidades pagas pelos alunos.
O protesto iniciou por volta das 9 horas da manhã. Os universitários seguiram pelas avenidas Major Nicácio e Presidente Vargas causando lentidão no trânsito. A Polícia Militar teve que ser acionada para auxiliar no percurso. Em uma só voz, o grupo entoou durante todo o trajeto diversos trechos, entre eles: “Ô faculdade que papelão, aumenta o preço e não melhora a educação” e “Democracia”.
Ao se aproximar da Prefeitura, a manifestação chamou a atenção dos funcionários e até do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que olhou pela janela para ver o que estava acontecendo. Após contornarem o Paço, os universitários entraram no pátio e continuaram gritando palavras de ordem, mas desta vez direcionada ao poder público municipal: “Autarquia municipal e a Prefeitura não dá nem um real”.
A manifestação agitou a manhã do Paço Municipal. A Guarda Civil foi acionada e funcionários bloquearam diversas portas e até mesmo o elevador, impedindo o trânsito dos universitários pelo local. Poucos minutos depois, o secretário municipal de Administração, Humberto Mazza, surgiu na multidão procurando representantes do diretório acadêmico para conversar e tentar entender a situação. O universitário Carlos Eduardo Veiga Soares Júnior, 21, participou da reunião. Segundo ele, o mesmo ofício que foi protocolado na FDF foi entregue também à Prefeitura para que ela contribua com as reivindicações.
“Eles questionaram o porquê desta manifestação, o porquê da gente ter vindo aqui sendo que a Prefeitura não tem muito poder decisório direto na faculdade. Pedimos um acompanhamento da Prefeitura, devido a faculdade ser uma autarquia municipal, para ver se realmente conseguimos alguma coisa.”
Reivindicações
Entre várias reivindicações, os universitários pedem por mensalidades mais acessíveis, atualização do acervo da biblioteca, agilidade na entrega do novo prédio da faculdade e paridade de votos entre o corpo docente, discente e a administração.
Segundo Júnior, até o momento a faculdade respondeu as reivindicações montando uma comissão de professores de todos os anos da faculdade para analisar a ofício protocolado. Uma assembleia também havia sido marcada, segundo o universitário, para a próxima quarta-feira, mas foi remarcada para agosto.
A FDF tem em torno de 1,4 mil alunos em dois períodos. A maioria destes estudantes estão paralisados desde a última segunda-feira. “Vamos continuar paralisados e protestando até conseguirmos as demandas que pedimos no ofício que levamos à administração”, disse Júnior.
Outro lado
De acordo com diretor da FDF, Décio Piola, as reivindicações são muitas e precisam ser estudadas antes de realizar o encontro que, segundo ele, não havia sido agendado para a próxima semana. Ele confirmou que uma comissão de professores foi criada.
O diretor disse também que ficou sabendo da manifestação de ontem, mas que ainda não sabe as consequências que ela pode trazer. “Fiquei sabendo. Não sei a extensão disso e qual pode ser o reflexo. Não parei para avaliar o que foi feito e como foi feito. Sei que eles foram e me parece que não teve nada de anormal. Isto é próprio da juventude e da reivindicação.”
O Comércio entrou em contato com Humberto Mazza, mas o secretário disse que estava em uma reunião e pediu que a ligação fosse retornada no fim da tarde. Assim foi feito, mas as ligações não foram atendidas.