Região do Bagres vira ‘cracolândia’ e deixa moradores amedrontados
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Três homens foram flagrados pela reportagem do Comércio no meio da tarde de ontem, sob a ponte da rua General Telles
Restos de comida e lixo espalhados pelo chão, calçadas sujas e vários consumidores de drogas. Esse é o cenário das pontes que passam sobre a avenida Doutor Antônio Barbosa Filho, na região dos Bagres, em Franca. Moradores da redondeza estão assustados com a realidade e revelam que o local se transformou em uma “cracolândia”, onde o uso da droga é descarado e acontece a qualquer hora do dia.
Quem passa de carro pelas avenidas ou mesmo nas ruas sobre as três pontes não enxerga a realidade dos vãos. Ali, viciados usam crack sem se preocuparem com quem passa e também fazem do espaço, moradia.
Ontem, 28, na ponte da rua General Telles, em uma primeira abordagem da reportagem, um colchão com um cobertor, além de garrafas de pinga e potes de comida eram alguns dos indícios da presença dos usuários de drogas. Mais tarde, a reportagem localizou ao menos oito pessoas, entre homens e mulheres, divididos sob duas pontes. Dois deles disseram ter casa, mas moram na rua por “falta de apoio da família”. Um, inclusive, contou fazer uso de todo tipo de droga no local.
Para o técnico em telefonia celular Júlio César Marques, morador na região, a situação tem se agravado ao longo dos meses e o medo toma conta de quem vive próximo. “Eles ficam na calçada, pedem dinheiro, comida e algumas vezes até ameaçam. Tem muitas senhoras que moram por aqui e não sabemos qual pode ser a reação deles.”
Segundo ele, um corredor às margens da avenida, que antes era usado pelos moradores, precisou ser esquecido devido à ocupação dos usuários. “O sobe e desce aqui na travessa é constante e a gente não pode deixar a casa sozinha”, disse a também moradora na região Sabrina Daiane Ramos, que percebeu um aumento no número de pessoas frequentando o local.
Um comerciante das redondezas, que preferiu não se identificar, disse ter contado mais de dez usuários diferentes, muitos deles jovens que não moram na rua. Ele informou também que a presença dos usuários de drogas é um problema antigo e resistente. “A Prefeitura vem e retira eles, passa um tempo sem e depois tudo volta como era antes, mas dessa vez está pior. A quantidade só está aumentando.”
Na ponte da General Telles, por exemplo, a situação já resiste há 15 meses. Em fevereiro do ano passado, o Comércio esteve no local e encontrou desde móveis e colchões até peças de roupas espalhadas, além de cinco moradores que se diziam fixos.
Na ocasião, a secretária de Ação Social, Gislaine Alves Peres, disse que a Prefeitura acompanhava o grupo no pontilhão da General Telles e costumava oferecer atendimento no Abrigo Provisório, mas que normalmente eles não aceitavam ir. Ela também citou que a situação poderia melhorar com a implantação do Centro Pop. Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário. Segundo os moradores da região, o número de usuários de drogas sob as pontes aumentou após a instalação da casa de apoio a moradores de rua a menos de dois quilômetros dos viadutos.
Ontem, a secretária não foi encontrada durante a tarde na Secretaria de Ação Social para falar do surgimento da “cracolândia”. Em seu celular particular, as ligações não foram atendidas.