09 de julho de 2026

Motoboy é degolado em edícula no bairro São José


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Agentes funerários carregam caixão com corpo da vítima. Morte pode ter ocorrido no sábado
O motofretista Pedro Jesus da Silva, 52, que residia na rua Voluntários da Franca, bairro São José, foi encontrado morto no início da noite de ontem. O corpo nu estava no quarto de uma edícula de quatro cômodos que ele alugava. Um pedaço de lençol foi usado para tapar a boca e enrolar a cabeça. Peritos constataram que a vítima foi degolada e esfaqueada, pelo menos, duas vezes nas costas e outras quatro na altura do tórax, pouco abaixo do pescoço. A moto Honda CG 150 Titan Mix ES, 2010, preta, de Silva, desapareceu junto com sua carteira e dois perfumes. O caso foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte).
 
A polícia foi comunicada por volta das 18h30. Um eletricista de 48 anos, que guarda seu veículo no corredor de acesso à edícula de fundos todos os dias, desde domingo não conseguia falar com o amigo. Ontem, chegando na casa, ele notou luzes acessas e não viu a moto. “Fiquei cismado. Vi que a porta não estava trancada, entrei e me deparei com ele morto no quarto. Liguei para a família e eles ligaram para a polícia”, disse o eletricista.
 
O imóvel, de pouca mobília, estava revirado. Em uma pequena escada de três degraus, que dá acesso de um misto de cozinha e lavanderia a uma sala vazia, policias militares encontraram cartões espalhados no chão ao lado de um par de botinas. Em um dos quartos, o corpo nu da vítima. No outro, um guarda roupas com alguns objetos e vestes espalhados. Silva morava sozinho.
 
O perito Celso Garcia, acompanhado do fotógrafo João Souza, ambos do IC (Instituto de Criminalística), realizaram a perícia. “Ele foi degolado”, comentou rapidamente Garcia quando deixava o local, mas sem entrar em detalhes. As evidências, segundo o perito, apontam que Silva teria sido assassinado entre a noite de sábado e madrugada de domingo. 
 
O delegado Milessandro Mazola Moreti, que também esteve na casa, disse que a vítima tinha perfurações de faca no corpo. “Somente a autopsia poderá estabelecer o número exato, mas a olho nu é possível notar duas perfurações nas costas e mais quatro no tórax, além do pescoço cortado”, disse Moreti. A faca usada no crime não foi localizada.
 
A ponta de um pedaço de lençol foi enfiada dentro da boca do motofretista, para, supostamente, evitar que ele gritasse. O que sobrou de pano foi enrolado em sua cabeça.
 
A perícia apreendeu um cachimbo caseiro confeccionado a partir de lata de alumínio e que serve para o consumo de crack. Familiares confirmaram que o motofretista era usuário de drogas, passou por tratamento em uma clínica de reabilitação e, possivelmente, voltou a fazer uso.

Voz feminina
“Um vizinho, que não quer aparecer, disse que ouviu uma voz feminina gritando ‘não faz isto, não faz isto’. É uma pista que poder levar ao autor (ou autores) do crime”, revelou o delegado. O vizinho em questão foi ouvido em sigilo pelos investigadores que estavam trabalhando na noite de ontem no Plantão Policial. As informações, segundo os policiais, apontam que o latrocínio teria ocorrido no final da noite de sábado. “O que foi apurado até o momento será encaminhado à DIG (Delegacia de Investigações Gerais)”, destacou Moreti.
 
O corpo foi transladado para o IML (Instituto Médico Legal) pela Funerária São Francisco. Até o fechamento desta edição, a família não havia definido os locais de velório e sepultamento.

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