Devota beija uma das fitas na imagem de Santa Rita na festa da padroeira em Cássia, MG
A madrugada fria do dia 22 de maio, última quinta-feira, era o cenário. Os morros, tradicionais na paisagem mineira, não haviam recebido os primeiros raios de sol quando pouco a pouco os romeiros começaram a chegar em Cássia, distante 69 quilômetros de Franca. Eles vinham dos mais diferentes lugares - Passos, Ibiraci, Itaú de Minas, Delfinópolis, Pratápolis, Poços de Caldas, Franca e tantas outras cidades - a pé, de bicicleta, de carro ou ônibus. Encorajados pela fé na padroeira do dia, Santa Rita de Cássia, os fiéis se aglomeravam no Santuário de mesmo nome, repleto de flores no altar e no entorno da imagem da santa e de uma relíquia dela (uma parte pequena do seu osso). Devotos faziam fila para agradecer e pedir graças diante das duas lembranças da italiana Margherita, nome de batismo da santa “Rita”. Histórias que os fiéis definem como milagres não faltavam.
A primeira celebração do dia, às 5 da manhã, chamada de “Missa dos Romeiros”, não é batizada assim por acaso. A maioria dos fieis não era de Cássia, vinha da região para participar da festa e retornar às suas cidades a tempo de trabalhar e manter a rotina em cidades onde, ao contrário de Cássia, não era feriado no dia 22 de maio.
A francana Luciana Maia, secretária executiva, era uma entre as centenas de pessoas presentes. Devota de Santa Rita, acordou às 3 da manhã para viajar até Cássia. “Todo dia 22 participo da festa, mas ia em Franca mesmo. Esse ano tive a oportunidade de estar no Santuário e me sinto realizada, porque este era um sonho meu.” Após a missa, voltou a Franca para trabalhar.
Para Luciana, o esforço é recompensado, pois, para ela, é graças ao intermédio de Santa Rita que sua filha Mariana, hoje com 13 anos, sobreviveu. “Ela nasceu prematura aos sete meses de gestação e venceu vários problemas de saúde por causa da fé da nossa família.”
A missa tem início antes do dia amanhecer, o que confere a ela charme especial. Quando o sol começa a nascer a iluminação invade, aos poucos, o Santuário através dos vitrais e destaca a pintura e as flores no altar. Beleza difícil de descrever através de palavras, mas confirmada nas imagens de quem registra o momento mágico.
Apesar do horário muito cedo, o número de fieis que participa desta primeira celebração é grande e o Santuário se torna pequeno. Muitos precisam se acomodar fora da igreja. Após a celebração, outras seis aconteceram, totalizando, segundo o pároco do Santuário, Sandro Henrique dos Santos, a visita de mais de 20 mil pessoas.
A celebração campal da manhã é outra que arrebanha grande número de pessoas. Com a presença do bispo Dom José Lanza, da Diocese de Guaxupé, à qual Cássia pertence, a missa na parte externa do Santuário transforma a praça e as ruas adjacentes em um jardim de rosas vermelhas nas mãos dos fiéis.