09 de julho de 2026

Região tem queda na produção de leite; café tem expansão


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O produtor rural Paulo César Aímola ordenha vaca no sítio Santa Maria, na zona rural de Franca, na saída para Ribeirão Corrente
Há três anos, o produtor rural Paulo César Aímola tinha 40 vacas em ordenha no sítio Santa Maria, na zona rural de Franca, na saída para Ribeirão Corrente. Juntas, elas produziam 200 litros de leite diariamente a um custo mensal de R$ 1 mil. Hoje, ele reduziu pela metade o rebanho leiteiro, viu a produção de leite despencar para 70 litros diários e percebeu que o gasto para manutenção das vacas continua igual. Como alternativa à renda, o produtor decidiu investir mais no plantio de café e aumentou a área de cultivo.
 
Esse cenário de queda no leite e expansão da cultura cafeeira não é uma exclusividade de Aímola. Pelo contrário. Ele tem se tornado cada vez mais comum na região de Franca, onde a produção de leite registrou redução, nesse ano, de 20% em relação ao volume de 300 mil litros por dia produzidos até o ano passado. “O produtor está desestimulado, o leite não está sendo rentável e, para agravar mais a situação, os pastos não cresceram o que provocou a quebra”, disse o diretor da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) Franca, Pedro César Barbosa Avelar.
 
Para o produtor rural, manter a produção de leite se tornou mais difícil nos últimos anos. “O preço do leite está sempre instável, enquanto o do café melhorou bem, além disso os preços de insumos, vacinas e ração estão mais caros”, reclamou. Somente a nível de comparação, o quilo da semente de milho que antes custava R$ 5,87, agora não é vendido por menos de R$ 7,30, segundo dados da Cati.
 
Aímola diz que além do preço do trato estar maior, manter a cultura se tornou sacrificante. “É um serviço cativo, que os mais jovens não querem. Não está fácil conseguir retireiro e quando acha, o cara não quer compromisso, só facilidade”.
 
Some-se a esses fatores, a estiagem que neste ano começou mais cedo e fez os pecuaristas deixarem as pastagens antes do previsto para complementar a alimentação do gado. “A seca que antes durava quatro meses, dessa vez está ampliando para sete meses”, disse o técnico da Cati, Marcelo Coelho Lopes.
 
Ele explicou inclusive que apesar do aumento no preço do litro do leite pago ao produtor - em torno de R$ 0,90 - as contas não fecham. “Mesmo com o reajuste, os produtores continuam com o prejuízo, então essa dificuldade de mercado faz com eles deixem o leite de lado e se dediquem a outras culturas”.
 
Nos três últimos anos, números do IEA (Instituto de Economia Agrícola) mostram que área de pastagem na região de Franca diminuiu de 150 mil hectares para 128 mil hectares, uma redução de 14%. Já o rebanho no mesmo período caiu de 169 mil cabeças para 117,6 mil, queda de 30%. “Se a situação não melhorar, admito que não sei o que será do leite”, disse o produtor rural.
 
Usina
A usina de laticínios Jussara informou que a captação de leite da empresa está normal, apesar da queda de produção vivenciada pela maioria dos fornecedores. 
 
Segundo o diretor superintendente da Jussara, Odorico Alexandre Barbosa, a redução é normal para a época do ano e ocorre devido o início da entressafra. 
 
“A consequente redução no volume das chuvas afeta os pastos, resultando em uma menor oferta de produto. Tivemos uma queda na produção de aproximadamente 10% nos últimos trinta dias, e deve se acentuar nos próximos 90 a 120 dias”.
 
O empresário disse porém que independente da queda, não houve redução no número de fornecedores, pelo contrário, “houve aumento com a abertura de novas bacias leiteiras em outras regiões”. Ainda de acordo com Barbosa, o crescimento na captação acontece à medida que aumenta o volume industrializado.
 
Sobre a falta de estímulo dos produtores, o diretor da Jussara diz não concordar e aponta que a produção comparada ano a ano vem aumentando, principalmente na região. “Para se ter uma ideia, há cerca de quatro anos, a produção no município de Patrocínio Paulista era de 15 mil litros/dia, e hoje está em 40 mil litros/dia”.

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