Espera de 7 horas revolta usuários do PS Municipal
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Sala de espera do PS lotada na tarde de ontem: usuários disseram que havia apenas um médico
Depois do tumulto que mobilizou dez viaturas da Polícia Militar no último dia 23, quando uma paciente acusou de agressão um médico da Rede Pública de Saúde, o Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” mais uma vez foi palco de confusão na tarde de ontem. Dessa vez, as reclamações eram contra uma fila de espera que, às 13 horas, durava há sete horas. “Estou aqui desde as 7h30 e contando: de três em três horas, eles chamam 16 pessoas”, disse o metalúrgico João Paulo de Souza. “Eu tenho 77 anos e estou esperando para ser atendida desde as 10 horas. Estou morrendo de fome”, disse a dona de casa Rosina Pereira, que acompanhava o neto com dor de cabeça.
Casos como esses surgiram às dezenas. A plenos pulmões, um senhor se exaltava. “Eu fico parado e vai descontando o meu dia de serviço. Eu não posso passar o dia todo aqui. Ninguém vai pagar minha água, minha força, e minha família tem que comer.” Num segundo, uma aglomeração se juntou para protestar. “Na hora de pedir voto, são os primeiros a ir de casa em casa; até na igreja! Na hora de cuidar do povo, que é a obrigação deles, cadê? Cuidar disso aqui não é caridade, é fazer o que são pagos para fazer!”, disse o pedreiro Izildo Antônio Dias. “Daqui uns dias vai ‘virar’ revolução aqui em Franca.” Ao lado da confusão, uma mãe amparava a filha, que não continha as lágrimas. “Estou aqui desde as 9h20 e minha menina está chorando de dor. Ela está com dor na lombar e fica mal acomodada por aqui”, desabafou a costureira Maria Dalva.
O ápice da revolta foi quando, por volta das 13h30, a manicure Lucia Helena Diamantino, de 47 anos, sofreu um desmaio enquanto aguardava por atendimento. Em contato posterior, feito pela reportagem, Lucia afirmou que há seis meses vem procurando ajuda no Pronto-socorro. “Em outubro (médicos) me disseram que eu estava com ameaça de infarto. Há 15 dias também sofri um derrame e me falta oxigenação no cérebro.” Ao passar pela triagem, o “diagnóstico”: “As enfermeiras disseram que eu não tinha nada, que estava normal”. A manicure então se sentou para esperar e não resistiu a um desmaio.
Enquanto a reportagem ainda estava no local, no início da tarde de ontem, nomes da fila de espera começaram a ser chamados, mas horas depois, o Comércio ainda recebia críticas sobre o atendimento do “Álvaro Azzuz”. Um jovem que teria chegado ao Pronto-socorro por volta das 14h15 em estado de urgência, teria conseguido encaminhamento para a Santa Casa duas horas e meia depois. “Meu sobrinho esmagou o dedo em uma prensa e agora (16h45) é que liberaram uma vaga na Santa Casa para fazer a cirurgia para tentar reconstruir”, disse Fernandes de Lima, tio do acidentado. Às 19h30, outra ligação foi feita à Redação do jornal. “A gente pede ajuda e todo mundo diz que não pode fazer nada. Tem uma moça que eu nem conheço, mas está aqui desde as 15 horas, chorando, e só tem um médico”, disse ao telefone a dona de casa Maria de Fátima Timótio. “Será que ninguém pode ajudar a gente? Até no 190, eles dizem que não podem fazer nada!”
Sem explicação
Os funcionários do Pronto-socorro se disseram impedidos de conceder entrevistas e não apontaram nenhum responsável que o fizesse. A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, não retornou os contatos feitos pela reportagem para comentar a situação e apontar uma solução, até o fechamento desta edição. Um e-mail foi enviado a ela, a pedido de sua secretária e não foi respondido. Ligações ao seu celular também não foram atendidas.