09 de julho de 2026

‘Movimentação relativamente pequena’, diz Alexandre sobre greve


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Prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), em entrevista coletiva sobre o movimento na tarde de ontem: ‘Mais cedo ou mais tarde, a greve acaba’
Trinta e duas horas depois de iniciada a maior greve de servidores municipais da história de Franca, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) decidiu se pronunciar. Convocou às pressas uma coletiva de imprensa. Às 15 horas de ontem, recebeu os jornalistas em seu gabinete. Tentando disfarçar o nervosismo e com um discurso já escrito, Alexandre tentou minimizar as paralisações que se espalharam pelas repartições municipais da cidade. Mesmo com todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) fechadas, com os prontos-socorros atendendo apenas casos envolvendo risco de morte e parte das escolas municipais com aulas suspensas (leia texto na página ao lado), o prefeito disse que considera o movimento grevista “relativamente pequeno”.
 
Para o chefe do Executivo Municipal, as manifestações de ataque e insatisfação feitas pelos servidores em relação à sua postura não preocupam. Ao comentar os cartazes e gritos de guerra que tomaram conta do Paço Municipal durante todo o dia de ontem, Alexandre repetiu a frase que tem usado exaustivamente sempre que é questionado sobre o descontentamento gerado por seus posicionamentos. “É normal. Estou tranquilo.”
 
Para ele, os servidores estão sendo usados. “Mas isso se resolve. É tranquilo. É mais um desabafo deles (servidores). Mais cedo ou mais tarde, a greve acaba. De um jeito ou de outro, esse movimento não vai durar para sempre.”
 
‘Inventando’
O prefeito ainda atribui a greve a informações erradas que estariam sendo passadas pelo presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Fernando Nascimento, aos funcionários. “O movimento surgiu porque querem um aumento, porque estão sendo informados erroneamente pelo sindicato de que é possível. Mas não é. O sindicato está inventando muitas coisas. Estamos no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e não temos como oferecer mais.”
 
Alexandre Ferreira afirmou ainda que os dias não trabalhados serão descontados dos servidores que estão em greve. Para os funcionários da Educação, avisou que as aulas terão de ser repostas. “Não podemos desrespeitar o ano letivo e as atividades que já estavam programadas.”
 
‘Vai perder’
Em seu discurso, fez questão de ressaltar que a Prefeitura pode levar a greve para a Justiça e, segundo ele, neste caso, os servidores seriam prejudicados. “A gente já estudou. Se levarmos a questão para o dissídio na Justiça, no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas, as chances de dizerem que a Prefeitura só tem que dar os 3,97% de aumento é muito grande. E o servidor vai perder tudo o que conquistou com as negociações.”
 
‘Aberto’
O prefeito repetiu várias vezes que está aberto à negociação com os servidores. “Já aceitamos quase todas as 32 cláusulas apresentadas pelo sindicato. Já subimos o índice de aumento e chegamos ao que foi pedido. Estamos abertos à negociação. Gostaria de sentar e conversar com cada um dos servidores.” Mas não sentou-se com o representante deles.
 
Sem nenhuma rodada de negociação desde sábado, quando a greve foi deflagrada em assembleia dos funcionários, foi somente na noite de ontem que a Prefeitura convocou uma reunião. Das discussões que duraram cerca de uma hora e meia, o prefeito Alexandre não participou. Em seu lugar, enviou os secretários municipais Humberto Mazza (Recursos Humanos) e Neide Lopes (Finanças). Mas novamente não houve acordo. “Eles não mudaram nada. Não negociam. Nos ofereceram um aumento tão insignificante no cartão alimentação que não vale a pena nem ser citado”, disse Nascimento, depois de encerrado o encontro. 
 
Apesar do discurso de que está aberto ao diálogo, Alexandre limitou a negociação a apenas dois itens. “É preciso deixar claro que quando falo em negociação, estou me referindo ao Plano de Demissão Voluntária e ao Plano de Carreira do pessoal da Educação. Toda a negociação financeira já foi encerrada.”

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