Grupo de capoeira Cativeiro atende cerca de mil crianças
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Com 22 anos de atividade, o grupo de capoeira Cativeiro realiza trabalho com cerca de mil crianças em Franca e região
Reportagem de Tarissa Esteves e Irinéa Donizete
19h30. Quinta-feira, 27 de fevereiro. Galpão do Centro Comunitário da Vila Santa Luzia. Quinze crianças se reúnem ao som dos berimbaus e pandeiros para mais uma aula de capoeira, promovida pelo Grupo Cativeiro, que há 22 anos atua em Franca e região atendendo cerca de mil crianças e adultos em projetos sociais e privados. Sob a supervisão de 15 professores, as aulas circulam pelos centros comunitários das cidades, creches municipais e particulares e são também realizadas na sede do grupo, na avenida Brasil. “Nosso lema é integrar e socializar as pessoas e nossos projetos seguem essa ideia”, disse Evaldo Juvêncio dos Santos, contramestre do grupo.
Vestidos de branco e de pés no chão, as 15 crianças do Jardim Santa Luzia estavam animadas com o início do treino. A câmera do Comércio, que a princípio pareceu intimidar, tornou-se uma aliada e, com o passar do tempo, caretas e piruetas foram produzidas especialmente para a lente. “Tira foto de mim!”, gritavam.
Depois do aquecimento, as atividades passaram a exigir maior concentração. Todas as palavras do contramestre eram atendidas de pronto. Uma roda foi formada e, no compasso do berimbau, ecoava a cantiga: “1, 2, 3, 4, capoeira é um barato; 4, 3, 2, 1 - pode jogar qualquer um”.
Raul Henrique Cintra da Silva, 11, e Juliano Pereira de Paula, 12, se conheceram nos treinos de capoeira ministrados no Centro Comunitário do Santa Luzia. Moradores no bairro, há um ano eles se dedicam ao aprendizado e a ginga da luta e dividem a mesma opinião: querem fugir da violência e problemas como as drogas, por exemplo. “É melhor ficar aqui do que na rua. Aprendo muito aqui e faço novos amigos”, disse Raul.
Há quatro anos, o entregador William Reis pratica capoeira no Cativeiro. Ele pontua que os benefícios para o corpo e a mente são o que mais o motivam para encarar uma roda depois de uma jornada de trabalho de mais de 10 horas. William treina três vezes na semana. “Algo me chamou. Gosto da filosofia da capoeira, da história. É um exercício corporal e intelectual simultâneos”, disse ele.
No trabalho de socialização, o grupo Cativeiro oferece as aulas para dependentes químicos em processo de reabilitação e pessoas com Síndrome de Down. “O que queremos mostrar é que todos somos iguais, sem nenhum preconceito racial, social ou de qualquer tipo”, afirma o contramestre Evaldo.
História
Em abril, o Grupo Cativeiro de Capoeira completa 36 anos de atuação no Brasil e no exterior. Em Franca, ele existe há mais de duas décadas por intermédio do mestre Miguel Machado, fundador da franquia atuante em 15 países e diversos Estados brasileiros.
O mestre Miguel veio a Ribeirão Preto para divulgar o Cativeiro e deixou três mestres para treinar os interessados. “O mestre Garcia era um desses instrutores e acabou trazendo o projeto para Franca. Ele morava em Ribeirão e vinha aos fins de semana para cá. Com o passar do tempo, ele transferiu as responsabilidades para um professor chamado Mateus.
Dos formandos do Mateus, saiu um mestre francano, o Cavalo, que hoje reside e atua no México. Foi esse mestre quem formou os contramestres que hoje tocam o projeto em Franca: Adriano Isaias de Andrade, Alexandre Isaias de Andrade e eu”, disse Evaldo.
Aulas
O Cativeiro oferece aulas pagas em sua sede e gratuitas em centros comunitários e escolas. A sede do grupo fica na avenida Brasil, 494, na Vila Aparecida. Os telefones para contato são 9 9140-6755 ou 9 9197-7655. Todos os sábados, a partir do meio dia, o grupo faz uma roda livre de capoeira na Praça Barão, no Centro, para mostrar à comunidade um pouco mais sobre essa arte.
No próximo sábado, dia 29 de março, o grupo promoverá a primeira edição do “Aulão Infantil de Capoeira”, na Concha Acústica, às 9 horas. O evento é direcionado para crianças e tem o intuito apresentar e incentivar essa prática esportiva.