08 de julho de 2026

Testemunhos de católicos, evangélicos e espíritas mostram o poder da oração


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Julieta Aidar sorri ao se lembrar do quanto a fé a ajudou a superar as sequelas deixadas por um derrame e os 55 dias que ficou na UTI
Quando Julieta Ribeiro Goulart Aidar, hoje com 69 anos, sentiu as primeiras fortes dores de cabeça que antecederam o derrame, há quase 15 anos, orar foi quase que automático, mas continuar rezando com fé, mesmo estando desenganada pelos médicos, foi, para ela, a razão de ter recebido o que considera um milagre. Católica fervorosa e devota de Santa Rita de Cássia, Julieta atribui às orações o fato de ter sobrevivido quase sem sequelas aos 55 dias em que permaneceu internada em coma, na UTI de um hospital.
 
Quando, enfim, acordou do coma, recebeu a notícia, junto com a família, de que teria vida vegetativa. Julieta havia perdido todos os movimentos do corpo e a fala. Sua única comunicação era através do olhar, mas, mesmo debilitada, todos os domingos recebia, em casa, a comunhão (para os católicos, considerada o corpo de Cristo). É assim até hoje.
 
Os filhos e o marido se uniram a ela em oração e alcançaram o que consideram outro milagre, a volta dos movimentos e da fala. Quinze anos depois do problema, a única coisa que ela não recuperou foi o movimento das pernas. “Nós entregamos o que restava da minha vida para Deus. Pedia a ele que não me levasse ainda e conversava o tempo todo, em pensamento, com Santa Rita. Alcancei o meu milagre e sobrevivi graças à minha fé”, conta. A justificativa de Julieta é corroborada pela ciência. Segundo um trabalho divulgado recentemente pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, de São Paulo, que teve como base cerca de 250 artigos publicados em todo o mundo, a crença religiosa pode reduzir em até 30% o risco de morte.
 
 O Instituto Dante Pazzanese coordenou uma pesquisa com o Grupo de Estudos em Espiritualidade, com o objetivo de entender se o modo como as pessoas vivem e encaram as doenças pode interferir na saúde e na recuperação dos pacientes.
 
Especialista
Para a psicóloga Martha Maria Antoniano, que atende em seu consultório apenas pessoas com graves doenças, o bem estar mental gerado por quem acredita em alguma coisa superior à própria doença, faz com que o paciente tenha mais esperança e, assim, tenha ânimo para lutar pela vida. “A religião, seja ela qual for, ajuda a manter o otimismo pois direciona o pensamento para o bem, o que faz com que a pessoa não se entregue ao sofrimento e se concentre na  cura”, afirma. Ela ressalta apenas que ter fé é importante, mas que ela deve ser somada aos tratamentos convencionais da medicina.