10 de julho de 2026

Motoristas ignoram leis e fazem 'barbeiragens'; veja


| Tempo de leitura: 4 min
Motociclista se arrisca pilotando com os pés fora dos pedais, arrastando-os no asfalto da rodovia João Traficante (ao lado). Acima, motorista de camionete faz ultrapassagem em trecho com faixa contínua próximo ao bairro rural do Buritizinho
Rodovia Ronan Rocha, KM 17, meio da tarde. Um caminhão transita pelo acostamento. Na pista, sentido Franca - Itirapuã, um outro caminhão passa para a pista contrária, desafia uma fileira de veículos e ultrapassa em local proibido. 
 
Rodovia João Traficante, na entrada de Franca, um caminhoneiro estaciona o veículo rente à pista, no acostamento de terra, e permanece a observá-lo em pé na rodovia enquanto veículos passam em alta velocidade no trecho que é em linha reta.
 
Rodovia João Traficante, próximo à Casa Seca, fim de tarde, um motociclista dirige com os pés arrastando no asfalto.
 
Esses são apenas três exemplos flagrados neste mês pela reportagem do Comércio em cinco rodovias que cortam a região de Franca (VEJA O VÍDEO AQUI). A imprudência e irresponsabilidade dos motoristas é evidente. Não é preciso observar por muito tempo para presenciar ultrapassagens em locais proibidos, veículos transitando pelo acostamento ou próximos demais dos outros e mais situações de desrespeito. A tinta amarela que forma a faixa contínua sobre o asfalto para proibir ultrapassagens é simplesmente ignorada por aqueles que estão ao volante.
 
No noite do dia 6 de janeiro, a sapateira Franciele Aparecida Evangelista, de apenas 25 anos, morreu após o sitiante Wirlene da Costa, 65, que admitiu estar alcoolizado, invadir a pista contrária da rodovia Ronan Rocha e se chocar bruscamente com a moto ocupada por ela e o marido. Franciele morreu na hora. No dia 14 de dezembro, o policial Celso de Freitas, 39, também perdeu a vida de forma trágica na rodovia. Morreu após colidir seu carro violentamente com um caminhão que fazia ultrapassagem em local proibido na rodovia João Traficante. 
 
Casos como esses, somados a tantos outros acidentes causados por imprudência de motoristas, contabilizam 90 ocorrências registradas pela Polícia Rodoviária somente no ano de 2013. Em 2012, esse número foi de 66 casos, o que significa um aumento de mais de 36% nas ocorrências apesar da maior rigidez de legislações como a nova Lei Seca. Os números consideram apenas acidentes de colisão frontal - que, segundo os policiais, geralmente ocorrem quando o veículo faz uma ultrapassagem arriscada - e causados por motoristas alcoolizados em três rodovias da região de Franca: Altino Arantes; Ronan Rocha e Cândido Portinari. Além dessas, o Comércio percorreu a já citada João Traficante e a Fábio Talarico. Em todas, a reportagem flagrou infrações. O erro mais frequente foi a ultrapassagem em local proibido ou muito arriscada, apesar de permitida. 
 
A repetição do problema, inclusive, é confirmada pelo tenente da Polícia Rodoviária, Cláudio Ferreira da Silva. “Grande parte dos acidentes em rodovias são causados por ultrapassagem indevida, alta velocidade e motoristas alcoolizados. Outras infrações, como a não utilização do cinto de segurança, não geram acidentes mas contribuem para o aumento do número de mortos e feridos graves”, disse. 
 
Vivência diária
O taxista Ademilson Bastos da Silva costuma transitar pela rodovia Fábio Talarico e também disse que a ultrapassagem arriscada é o abuso que mais presencia nas estradas. “O pessoal é muito apressado e não respeita as faixas contínuas.”
 
Lázaro Felipe, frentista de um posto de combustível que fica na rodovia Ronan Rocha, citou diversos erros que ouve os condutores relatarem ou que ele próprio vivencia ao transitar pelas estradas. “Vejo muito os carros que vão acessar a pista entrarem de forma repentina na frente de outros que já estão na via em maior velocidade. Se não conseguir frear, o carro de trás pode bater no que entrou”, contou o frentista, que relata ainda ver com frequência “gente comprar cerveja no posto e já sair bebendo”. 
 
Um caminhoneiro que também passa sempre pela Ronan Rocha afirma que sempre flagra motoristas ultrapassando pela direita dos veículos. “Vejo muito acidente. É por Deus que nunca sofri nenhum.” Já o motorista de caminhão Edmar Modesto da Silva Filho, que passava pela rodovia Fábio Talarico, disse que faltam melhorias nas estradas, mas para ele esse não é o maior problema. “Em primeiro lugar o que falta mesmo é o respeito dos motoristas uns com os outros.”
 
Fiscalização
Segundo o tenente Cláudio, as ações de fiscalização nas estradas da região são programadas de acordo com dados estatísticos e o policiamento é intensificado em locais e períodos com maior probabilidade de ocorrer imprudências. “Nossas ações são direcionadas aos locais e datas com maior fluxo de veículos nas rodovias. As programações são feitas semanalmente, mensalmente, semestralmente e até anualmente”, disse o tenente.
 
As fiscalizações costumam inibir o comportamento indevido dos motoristas pelo receio de serem penalizados. No entanto, enquanto não houver conscientização, a vida de outras pessoas, que trafegam com prudência e dentro da lei, continua em risco, à mercê dos imprudentes no trânsito.
 
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