Revi fotos que fiz no deserto de Mojave em 1992, milhares de geradores eólicos instalados. Hoje, 50% da nova energia americana é renovável. Lá, em 2012, foram instalados 13 GW (uma Itaipu) de energia eólica e 3,3 GW de energia solar. No Brasil, no leilão de energia do fim de ano, o governo contratou 39 empreendimentos eólicos, somando 867 MW a custo médio de R$ 124,43/MWh. A previsão é investir cerca de R$ 3,3 bilhões em parques eólicos, situados na Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Sul.
A potência instalada de energia solar nos Estados Unidos, ultrapassou 10,9 GW em 2013. O preço médio caiu 4,2%, alcançando US$ 3,00/W. Investimentos seguidos não param: seu Departamento de Energia destinou US$ 13 milhões para financiar cinco projetos na Califórnia, Colorado, Georgia, Pensilvânia e Oregon. O Brasil, apesar de seu imenso potencial nesta área, pouco investe.
Vamos a mais. A Amyris desenvolveu um levedo geneticamente modificado que, em vez de secretar etanol, secreta farneseno, um similar do diesel. O mais surpreendente é que em São Paulo, já havia, há dois anos, 300 ônibus usando esse diesel biológico e, agora, aumentou para 400, mas o mais de 15 mil ônibus paulistanos ainda consomem 450 milhões de litros de diesel por ano.
Enquanto aqui há resistência para se destinar adequadamente o lixo e corre-se risco permanente de contaminar o meio-ambiente, em Oslo, na Noruega, falta lixo para gerar energia. Importam lixo da Inglaterra, Irlanda, Suécia e querem também o dos Estados Unidos, de transporte marítimo mais barato.
Quando é que senadores, deputados e vereadores farão sua parte, para que isso também aconteça aqui? Quando nosso políticos agirão como verdadeiros estadistas?
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)