Depois de anunciar o descredenciamento da Universidade Gama Filho e Univercidade, no Rio de Janeiro, o MEC (Ministério da Educação) ainda não havia sinalizado com qualquer medida realmente eficaz aos seus mais de 12 mil professores, funcionários e alunos. O caso se arrasta desde 2012 e, nesse tempo todo, ninguém foi capaz de estudar uma solução para evitar prejuízos a este grande contingente. O descontrole nas contas do Grupo Educacional Galileo (e dos antigos donos também) não foi contingenciado e as greves de alunos, funcionários e professores tornaram-se frequentes no decorrer do ano passado.
Falta de luz e água frequentes nos prédios das duas instituições de ensino, além da deterioração dos prédios e do conteúdo educacional foram outros problemas apontados para que a medida extrema fosse tomada pelo MEC. Agora, cerca de 9,5 mil alunos e 2,6 mil professores e funcionários aguardam uma solução. O Ministério aponta saídas, como a realocação em outras instituições de ensino superior. Porém, não há garantias de que todos serão atendidos. Além disso, alunos do curso de Medicina -- que já foi considerado um dos melhores do País, formador de profissionais de grande capacidade que atuam em diversos pontos do Brasil, inclusive em Franca -- querem a garantia de que a qualidade será mantida. Os de outros cursos também.
Surgiu ontem o pedido de federalização da Gama Filho e da Univercidade, mas o governo federal descartou logo de início esta opção. Afinal, as dívidas do Grupo Galileo superam os R$ 500 milhões e não se pode investir uma quantia tão alta em algo onde não há garantia de retorno. As duas instituições podem se tornar um saco sem fundo e nós, que pagamos impostos, teríamos que bancar mais uma aventura como tantas outras que acompanhamos no correr dos anos. Em razão do longo tempo gasto pelo MEC para se chegar à decisão de descredenciar a Gama Filho e a Univercidade, uma solução para os demais envolvidos neste imbróglio também deveria ser apresentada.
Todos os problemas que envolvem hoje o Grupo Galileo passam pela atuação do MEC, que deixa de fiscalizar e até intervir em instituições (principalmente as particulares do ensino superior) cuja administração temerária pode deixar estudantes, professores e funcionários em situação difícil. A falta de uma atuação mais eficaz motiva decisões como o descredenciamento. Caso não haja absorção de todos os alunos, professores e servidores por outros estabelecimentos de ensino, quem irá pagar o prejuízo? Para muitos universitários da Gama Filho e da Univercidade faltava apenas um semestre para a formatura. E agora?
A ausência de uma política séria que envolva não apenas a qualidade dos cursos superiores, mas também seja capaz de acompanhar e detectar falhas na administração, é uma das causas dos problemas agora enfrentados. A situação pode ainda piorar, uma vez que se sabe que várias outras instituições de ensino superior estão seguindo o mesmo caminho que levou o Grupo Galileo a este impasse.