A enfermeira aposentada Vera Lúcia Rocha Santana, de 47 anos, vive um drama. Sua filha caçula, Rufina Cátia Rocha Rezende, de 26 anos, foi assassinada em Ituiutaba (MG) e enterrada como indigente. Vera só descobriu o ocorrido no início de dezembro do ano passado. Desde então, luta para conseguir exumar o corpo da filha e trazê-lo para ser enterrado no jazigo da família em Franca.
O drama de Vera começou em setembro do ano passado. Cátia estava vivendo havia oito meses na cidade mineira com um rapaz chamado Renato Zóia, que conheceu em uma viagem que fez para o Estado de Goiás. “Ela se encantou com esse moço e foi morar com ele na casa da mãe dele, em Ituiutaba. Ela dizia que ele era o homem da vida dela”, disse a enfermeira aposentada.
Mesmo longe, Cátia nunca deixou de manter contato com a mãe. “Ela me ligava pelo menos uma vez por semana para contar como estava a vida. Éramos muito ligadas”, ressaltou Vera Lúcia.
A aposentada falou a última vez com a sua filha no dia 10 de setembro. “Ela ligou e conversamos. Ela disse que queria vir para Franca me apresentar para o namorado. Parecia feliz. Mas eu senti algo estranho. Falei para ela vir, mas ela não veio”.
Depois desse dia, Cátia nunca mais ligou para a mãe. Os dias se passaram e o desespero de Vera só aumentava. “Eu chorava todos os dias. Vivia agoniada. Ela nunca me passou o endereço deles. Ela me ligava do celular de um amigo e eu não conseguia encontrar o número para saber notícias”, relembra.
Sem informações, Vera decidiu procurar a Polícia Civil de Franca e registrar um boletim de desaparecimento. “Eu fui à delegacia, mas eles disseram que não poderiam fazer muita coisa.”
No início de dezembro, ao mexer nas coisas de Cátia, Vera finalmente achou o número do celular do amigo da filha. “Liguei na hora. O rapaz disse que também não tinha tido contato com ela e que iria até a casa dela”.
Ele ligou horas depois com a notícia que Vera não queria ouvir. “Ele me disse que minha filha havia sido assassinada pelo companheiro no dia 16 de setembro. Contou que o rapaz havia sido preso em flagrante e que, como Cátia não tinha documentos, acabou enterrada como indigente. Fiquei sem chão”, disse a aposentada chorando (leia texto nesta página).
Vera ligou então para o IML (Instituto Médico Legal) para onde o corpo de sua filha teria sido levado. “Falei com o responsável e passei as características da Cátia. Ela tinha tatuagem e uma mancha de nascença. Ele confirmou que era minha filha”, contou.
Inconformada
A enfermeira aposentada não se conforma com o fato de a garota estar enterrada em uma vala comum para indigentes na cidade mineira. “Ela não é indigente. Ela é minha filha. Merece um enterro. Merece ser enterrada ao lado da família”, disse Vera Lúcia.
O problema é que, como aposentada, Vera não tem condições financeiras para exumar o corpo da filha e trazê-lo para Franca. “Eu fui pesquisar. Fui em uma funerária e me disseram que ficaria em torno de R$ 5 mil. Eu não tenho esse dinheiro, preciso de ajuda.”
Vera contou que não consegue dormir desde que soube da notícia. “Não consigo imaginar minha filha como indigente. Não consigo ter sossego. Só choro. Tudo o que mais quero é ela perto de mim.”
A aposentada conseguiu a ajuda do advogado Reginaldo Carvalho, que estuda a melhor maneira de conseguir a transferência do corpo. “De qualquer forma, se conseguirmos o dinheiro, a polícia mineira já disse que não haverá problemas”, disse Vera Lúcia.