09 de julho de 2026

Legalizar a maconha?


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A onda de liberalidade e anticaretismo que invadiu o mundo nos anos 60-70, além de servir como arma de oposição política, apresenta, hoje, perigosos efeitos colaterais, a glamurização da maconha, a exemplo. Gente atualmente poderosa revela, sem constrangimento, ter utilizado a erva naqueles tempos de contestação e defende sua legalização, até como ‘remédio’. O vizinho Uruguai foi além. Legalizou e criou a figura do maconheiro oficial, que pode fumar até 40 cigarros por mês, sem infringir a lei. Pode ter aberto nova vertente de tráfico: quem tem o produto cadastrado, o comercialize sob benesses do governo a quem não é cadastrado, ou no câmbio nero, ou a viciados de países vizinhos. É uma ‘bolsa maconha’. Os recursos são do governo, e se tornarão renda sem trabalho.

Ninguém pode garantir, com segurança, que consumo da maconha não leva à dependência e que não serve de entrada para drogas mais pesadas.

Ao cair na droga, o usuário entra num perverso caminho, sem volta. Para conseguir sua porção, acaba com a economia própria e da família e, na falta, parte para o roubo, a extorsão, o sequestro e até o assassinato, gerando a violência que tira a paz da sociedade.

Tudo o que vicia, que faz o indivíduo dependente, é prejudicial a ele próprio, à sua família e à sociedade. Assim é com o cigarro e com o álcool, cujo consumo a sociedade incentiva e, alguns, abominam. Isso não ocorre com a subterranea ‘indústria’ da droga que, além dos efeitos do seu produto, ainda espalha morte e crime no seu ambiente negocial.

Legalizar, no entanto, não é a solução. Todas as sociedades têm o dever cívico de evitar que essoas consumam drogas e de lutar, com todos os meios, pela recuperação dos que já caíram.

Até aqueles que foram usuário no passado e conseguiram salvar-se, têm o dever moral de combater. Nunca, jamais, legalizar. Pensando bem, careta hoje, deve ser fumar maconha, uma coisa que esteve em moda já faz 30 ou 40 anos...

Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo)