Ao contrário do que ocorria há pelo menos três décadas, hoje a principal preocupação do brasileiro é com a segurança pública. Trinta anos atrás, emprego, saúde e moradia apareciam no topo de qualquer ranking que se fizesse em relação ao quesito. O cenário mudou. Hoje as preocupações maiores são outras: os primeiros dias de 2014 mostram que a escalada da violência é uma realidade para todos os brasileiros. Torna-se cada vez mais nítido que a maioria se sente acuada e refém em seus próprios lares. O noticiário está cada vez mais “vermelho” e apenas no último final de semana mais de 20 pessoas foram mortas somente em Campinas (SP) e, ontem, em represália, três ônibus e um carro foram incendiados.
Latrocínios continuam fazendo vítimas, os assaltos tornaram-se banalidade e outra tragédia só não aconteceu na semana passada em Franca por causa da providência divina: depois de tirar todos os pertences de suas vítimas, um dos marginais que assaltaram a cantora Neném, da dupla com Pepê, acionou duas vezes o gatilho de sua arma, que falhou. Quem acompanha o dia-a-dia dos plantões policiais percebe que hoje a vida vale cada vez menos sob a ótica de facínoras com uma arma nas mãos. Não cabe aqui buscarmos os culpados.
O momento é de ação. Cobrar de nossas autoridades e legisladores uma ação firme, de peito aberto, contra esta violência que espreita cidadãos todos os dias. Exigir respostas imediatas contra essa marginália que vem amedrontando adultos e crianças de uma forma como nunca se viu antes em nosso País. Se o enfrentamento não for sério e contundente, dificilmente sairemos desta situação que coloca em risco a vida de milhões de pessoas a cada ano.
Leis mais duras, polícia mais eficiente e ação ostensiva de combate à criminalidade são necessárias para trazer de volta a tranquilidade que fomos perdendo no decorrer dos anos. Se não houver uma união de todos, deixando cores partidárias e ideológicas de lado, não será possível chegar a uma solução. Teses pseudo sociais para explicar a violência atual não resolvem. A impunidade advinda de um Código Penal leniente e benéfico para bandidos que não merecem contemplação é o principal ponto a ser atacado.
A questão carcerária no Brasil vem sendo levada de forma negligente por quem detém o poder. Faltam presídios em condições de conter os criminosos. No Brasil, ao contrário do que propagam os “defensores dos direitos humanos”, prisão não recupera. A maioria sai da cadeia e engrossa ainda mais o contingente de bandidos de todos os matizes que nos atacam nas ruas, nas lojas, em nossas casas.
Culpar condições sociais para a situação é uma argumentação que desvia as atenções do que realmente deveria ser feito. Enquanto as autoridades eleitas para atender os anseios dos brasileiros não se conscientizarem do verdadeiro trabalho a ser feito, nada vai mudar. E se a situação piorar, não será mais possível reverter o quadro que estamos vendo. Pior ainda: estaremos fadados a ficar fechados em nossas casas, enquanto quem realmente deveria estar preso continuará andando pelas ruas, provocando mais terror ainda.