16 de março de 2026

Cinquenta mil homicídios


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Ano novo, mas as notícias são as mesmas de anos anteriores. Dia 13, segunda-feira, programas de rádio e televisão informavam que treze pessoas haviam sido mortas a tiros entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira na região do bairro Ouro Verde, em Campinas/SP.

É lamentável, mas as estatísticas publicadas pelo Mapa da Violência no Brasil mostram que a cada ano mais de 50 mil pessoas, principalmente jovens, morreram vítimas de homicídios. Apesar das tentativas dos governos estaduais e federal em dizer e tentar demonstrar que os índices de violência estão em queda, à realidade é bem diferente. É inegável que vivemos dias difíceis. A violência, em toda sua plenitude, tem feito milhares de vítimas. Os fatos que diariamente são divulgados retratam a omissão e a ineficiência do Estado, que não tem disponibilizado serviço de segurança pública eficaz à população. Enquanto o poder do Estado não se impõe, o crime organizado institui-se como poder paralelo que estabelece regras de ética e conduta própria, além de implantar fronteiras para a atuação de determinada facção.

É vergonhoso, mas o Brasil responde por 10% de todos os homicídios praticados no mundo, segundo dados de estudo realizado a pedido do governo suíço, divulgado no ano de 2008, em Genebra.

Décadas atrás estudos já demonstravam que com a descentralização industrial, saindo das capitais e dos grandes centros em direção ao interior, criando novos polos de crescimento, atraindo investimentos e gerando emprego e renda, tornar-se-iam também atrativos para a criminalidade por serem áreas onde os mecanismos da segurança ainda precários ou incipientes, sem experiência e aparelhamento para o enfrentamento das novas configurações da violência, facilitariam a prática delituosa. Aliás, não só atrativa para a criminalidade. Os saldos migracionais positivos desses novos polos originaram grandes contingentes de população flutuante, com escassas raízes familiares e culturais, gerando condições favoráveis de inserção violenta nos novos locais.

Para nós o principal fator institucional que concorre para enfraquecer o enfrentamento efetivo da violência homicida do país é a impunidade, pois o risco de efetivamente ser punido é mínimo, fomentando a criminalidade. Além disso, o Brasil convive, tragicamente, com uma espécie de ‘epidemia de indiferença’, quase cumplicidade de grande parcela da sociedade, com situação que deveria estar sendo tratada como uma verdadeira calamidade social.

Ocorre devido a certa naturalização da violência e a um grau assustador de complacência do Estado em relação a essa tragédia. É como se estivéssemos dizendo, como sociedade e governo, que o destino dessas vítimas já estava traçado. Até quando vamos aceitar a violência como algo natural?

SEDE RECREATIVA DA FRANCANA: Sempre que passamos em frente ao clube da A.A. Francana, na rua Simão Caleiro, nos entristecemos com as condições de quase abandono que observamos. Para nós, que fomos crescemos na rua Couto Magalhães (Vila Peixe) e tivemos o privilégio de assistirmos treinos e jogos no ‘Coronel Nhô Chico’, que jogamos bola lá, onde também corríamos em volta do gramado nos preparando para os exames de aptidão física da Força Aérea Brasileira; que vimos a construção das piscinas, da sede recreativa, passando a desfrutar e acompanhar seu crescimento — na época havia uma ‘boa’ e saudável disputa com os sócios do Clube dos Bagres —, não conseguimos entender como o clube chegou a tal situação. Mas, ‘nada está tão ruim que não possa piorar ainda mais’, na reportagem publicada por este Comércio no dia 11 desde mês, fica evidente que a realidade interna do clube é bem pior do que imaginávamos. O que fazer? Qual é a melhor solução? Fechar as portas e recomeçar do zero como muitos outros clubes fizeram?

Toninho Menezes
advogado, professor universitário - toninhomenezes@netsite.com.br