O delegado Luiz Carlos da Silva, do 1º Distrito Policial de Franca, abriu inquérito para apurar a morte da jovem Luara Prieto, de 25 anos. Ela morreu na madrugada da última quinta-feira depois de passar por um verdadeiro calvário em busca de tratamento. Foram oito visitas ao Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e duas internações na Santa Casa de Franca, onde passou por duas cirurgias. Não resistiu e morreu. No atestado de óbito, os médicos alegaram causa natural para a morte. Para a família, houve negligência.
O pai de Luara, o comerciante Silson Ribeiro da Silva, de 49 anos, registrou boletim de ocorrência e pediu providências. Na quinta-feira, o delegado responsável pelo caso, Luiz Carlos da Silva, requisitou uma perícia necrológica no corpo da jovem. Os resultados devem sair em 30 dias. “O corpo já foi examinado pelo legista, mas existem exames como o toxicológico que não são feitos em Franca”, disse o delegado.
Luiz Carlos instaurou oficialmente o inquérito na manhã desta sexta-feira. “Vamos apurar o que realmente houve neste caso. Não é comum uma jovem saudável e sem histórico de problemas morrer por conta de uma infecção urinária, uma doença conhecida e com tratamento.”
O delegado já fez a requisição de cópias dos prontuários médicos de Luara no Pronto-socorro e na Santa Casa. “Ainda não nos foi repassado. Mas assim que os papéis chegarem vamos começar as análises dos procedimentos adotados”.
Luiz Carlos também deve ouvir todos os profissionais que de alguma maneira estiveram envolvidos com o atendimento de Luara. “Vou intimar a depor todos os médicos que a atenderam tanto no Pronto-socorro quanto na Santa Casa. Quero refazer todo o caminho percorrido por esta jovem dentro da rede pública de saúde”.
Além dos médicos, familiares de Luara que acompanharam seu drama também serão chamados. O primeiro a depor deverá ser seu pai, Silson Ribeiro. “Eu já o ouvi informalmente na quinta-feira. Mas ainda tem detalhes que preciso que ele esclareça”, disse o delegado. O depoimento deve ser agendado para a próxima terça-feira.
Luiz Carlos informou que o prazo para a conclusão das investigações é de 30 dias, mas ele deve pedir sua prorrogação. “Como vamos depender bastante da perícia médica e esta por sua vez depende de exames feitos fora de Franca, acredito que será impossível concluir todo o inquérito no prazo de 30 dias. Devemos levar um tempo um pouco maior que isso”.
Ao saber da abertura de investigação por parte da polícia, o pai de Luara se disse aliviado. “Era o que mais queria. A morte da minha filha não pode ser esquecida. Quero que a polícia encontre as respostas e aponte os culpados. Eu não vou desistir”.
Santa Casa
A Santa Casa de Franca divulgou nota à imprensa ontem, na qual diz que “lamenta profundamente o óbito da jovem” e declara que “acionou as Comissões Internas de Óbito e de Revisão de Prontuários para que seja feito um minucioso levantamento e análise do caso. O hospital aguarda o pronunciamento destas comissões para que se reporte à comunidade acerca da sequência dos procedimentos que envolveram todo o tratamento da paciente.”