A negociação entre os 189 funcionários demitidos e reintegrados da Unifran e a Cruzeiro do Sul (que assumiu a direção da instituição de ensino em junho do ano passado) agora está nas mãos da Justiça do Trabalho. Em assembleia realizada ontem, 10, na OAB de Franca, os trabalhadores decidiram, por unanimidade, manter a proposta que elaboraram no final do ano (e rejeitada pela parte patronal) e descartar, de vez, os benefícios oferecidos pela Cruzeiro do Sul. Com isso, as duas proposições serão agora analisadas por um juiz.
Outra decisão, também unânime, foi a de tentar adiantar a audiência judicial para este mês, em vez de 25 de fevereiro. “O objetivo é atender às necessidades dos trabalhadores e acabar a angústia deles”, afirmou o advogado do Sinteee (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino e Educação de Franca), José Nelson Salerno.
O advogado também deu orientações para os funcionários que voltam ao trabalho na Unifran na próxima segunda-feira, 13. “Eles devem se portar como sempre. Se não houver condições de trabalho oferecidas pela empresa, os funcionários devem comunicar a situação ao sindicato. A empresa pode até ser multada por causa disso”, disse. Ele acrescentou que iria protocolar a proposta na Justiça até o próximo dia 13.
“A decisão me tranquiliza muito. Nós estamos respaldados pela lei, e quem está sofrendo agora é a Cruzeiro do Sul. Somos do interior, mas não somos bobos. Vamos continuar unidos até o fim, e eles não vão nos vencer”, disse a supervisora de Iniciação Científica da Unifran, Maria Teresa Ludovice.
A Unifran, por meio da sua assessoria de imprensa, informou que não comenta processos judiciais em curso.
As propostas
A proposta dos funcionários é extensa. Eles pedem a manutenção de empregados interessados em seus cargos, readmissão dos trabalhadores portadores de necessidades especiais e a estabilidade do funcionário por um período de 24 meses, entre outras reivindicações. A proposta de compensação, pela falta de um plano de demissão voluntária, prevê benefícios como conservação do convênio médico de todos os trabalhadores demitidos por dois anos; fornecimento de bolsas de estudos integrais para empregados e dependentes em todos os cursos e indenização correspondente à remuneração bruta de um mês de salário para cada ano trabalhado.
A proposição da Cruzeiro do Sul foi vista como “minguada” pelos funcionários. O grupo ofereceu o pagamento de meio salário para os trabalhadores de até cinco anos de casa e um salário para os que têm mais de dez, além de seis meses de assistência médica e benefícios já previstos em convenções coletivas.