10 de julho de 2026

Artistas antenados com o futuro


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Dooby dooby doo... Qual é a música? Se você respondeu Strangers in the night, acertou. Mas é bem provável que não saiba que ela inspirou o título da mais longa série de desenho animado da televisão, Scooby-Doo. O cachorro que, apesar de medroso, acaba salvando sua turma, teve o nome derivado do refrão cantado por Frank Sinatra. Quem foi adolescente ali por volta de 1966, ou seja, os avós de hoje, vai se lembrar da canção e do cão.

Mas muito antes deste desenho, os cartunistas William Hanna e Joseph Barbera já tinham produzido dezenas de histórias. A pegada no futuro começaria com o robô que emitia zumbidos inteligíveis na série Frankenstein Jr; se reforçaria com o dragão espacial que disparava raios laser em Os Brasinhas do Espaço; e se tornaria mais complexa com as naves que vinham do céu e planavam no mar em Tutubarão. Mas foi com os netos de Os Flintstones que os artistas se aproximaram de Jules Verne, no que se referia a antever em suas criações aquilo que passaria a fazer parte do cotidiano das próximas gerações. Antecipar-se em quase meio século com tanta fidedignidade é o espantoso resultado de quem ousa migrar para mundos até então desconhecidos mas não improváveis.

Vejamos o que eles mostram em Os Jetsons, personagens que vivem num lugar/tempo onde as máquinas desempenham papel essencial à sobrevivência. Elevadores sobem 60 andares em trinta segundos. Aparelhos de ginástica e telas de plasma aparecem em todas as casas. Relógios de pulso também exibem função de TV. Computadores integram o rol de objetos escolares. Fornos esquentam comida em um minuto. Utilitários de cozinha são forrados com antiaderente. Aparelhos sem fio para comunicação imediata a distância são objetos comuns. Exames podem ser feitos através de aparelhos que conectam médicos e pacientes em latitudes opostas. Programa eletrônico localiza qualquer lugar geográfico. E, o que acho o máximo porque associo ao julgamento do Mensalão: a justiça é praticada on line, em tempo real. Na telinha um juiz bate o martelo para ler a sentença de um acusado e exibe em seguida a ordem para prendê-lo.

O carro voador de Dick Vigarista deve ganhar as ruas antes de 2050, assim como a pílula que vira omelete está sendo desenvolvida em laboratórios de ponta. Por isso ando um tanto preocupada com as qualidades proféticas dos autores de Laboratório Submarino, história que situam no ano 2020, e mostra como humanos buscam a sobrevivência no fundo dos oceanos, última fronteira do planeta Terra, ambiente degradado e hostil que corre risco de extinção.

Hanna(1910-2001) e Barbera (1911-2006) viveram mais de nove décadas, trabalharam juntos desde os vinte anos, viram a chegada do terceiro milênio, como desejavam. Aliás, não morreram, pois permanecem na memória daqueles a quem nutriram com seu poder criador, erguendo suas super antenas em direção ao futuro, como a sua Formiga Atômica que ficava levantando peso até que alguém a solicitasse em suas capacidades extraordinárias.

Crianças de todas as idades, sempre precisaremos de artistas como estes que se e nos elevam ao plano dos sonhos. Eles vão ganhar, nos EUA, biografia alentada até o final do ano. Na pátria onde a liberdade de expressão é um dos primeiros princípios constitucionais, isso é possível. Por aqui continuamos no dooby dooby doo...

Sônia Machiavelli, professora, jornalista, escritora