08 de julho de 2026

Ingratidão


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Não se deve generalizar, mas, para muitos, a palavra gratidão pode ser retirada dos dicionários. Trata-se de qualidade em franco desuso. Segundo o festejado ‘Aurélio’, ‘gratidão, substantivo feminino; qualidade de quem é grato; agradecido; agradável’, mas, infelizmente, ser grato, hoje, é prática muito pouco comum. Aliás, o que vemos com bastante frequência e com tristeza, em vários setores e momentos, é a presença marcante da ingratidão.

Na política, por rotina, alguém sem qualquer expressão pública consegue ascender a um importante cargo eletivo graças à indispensável ajuda e carisma de outra pessoa.

Depois de eleito, se esquece completamente do ‘padrinho’, julga-se com luz própria e, via de regra, em nova tentativa política, sem a ajuda do ‘padrinho’, acaba ‘quebrando a cara’. Parece que soberba e poder caminham juntos.

A ingratidão também se repete no mundo dos esportes, no campo profissional, no ambiente religioso, enfim, em todos os seguimentos onde se faz presente o ser humano.

Confesso que tento ser grato, sempre, especialmente com aqueles que de alguma forma contribuíram e contribuem para a minha formação profissional e realização pessoal, notadamente os mestres e professores. Tenho-os todos em minha memória, desde o Jardim da Infância de Dona Nenê, em Cássia, até o mestrado, inclusive aqueles docentes com menos didática e carisma.

Atualmente, porém, como regra (e há exceções), o aluno se forma e acaba se esquecendo daqueles que contribuíram para a sua formação.

Evidente que não estou, aqui, defendendo a criação de mitos. Ser grato não é apenas reconhecer com palavras, mas principalmente com atos, que o outro de alguma forma contribuiu para que alcançássemos os nossos objetivos. Criar mitos é outra coisa, irreal, fictícia, indesejada e perigosa. Já a gratidão, é clara manifestação de caráter e de nobreza de espírito.

Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca