08 de julho de 2026

Um ano que já começa mal


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O ano de 2014 começa da mesma forma como 2013 terminou: tragédias causadas pelo clima no Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. A visita da presidente Dilma Rousseff mostrou que nada mudou: depois que o assunto sumiu dos noticiários, nada mais foi feito para buscar soluções que evitem que estes fatos se repitam. No final deste ano e início do próximo, com certeza veremos tudo de novo, tendo no entremeio desvio de recursos e provisões para os que foram prejudicados. Ao mesmo tempo, a violência também continuou se repetindo neste novo ano, numa clara demonstração de que nosso Código Penal permanece defasado e não há nenhum movimento no sentido de endurecer as leis de forma que delinquentes se sintam ameaçados.

O que se vê hoje, diante das tragédias do Maranhão e de Franca é que o desrespeito, a imprudência e a certeza de impunidade são capazes de levar o sofrimento a famílias por causa da morte de inocentes. O drama vivido pelos familiares da garotinha Ana Clara de Sousa, de apenas 6 anos -- que morreu no hospital em decorrência das queimaduras que sofreu quando um ônibus foi incendiado por marginais em São Luís, capital do Maranhão, na última semana - é exemplar. Além da morte da menina, que não teve como se defender da fúria sanguinária dos marginais, a família ainda chora o falecimento do bisavô da garota, que sofreu um infarto fulminante ao saber que Ana Clara não resistira. Suas mãe e irmã continuam internadas, com graves queimaduras.

Caso marginais deste quilate não tivessem contemplação e benefícios, pois no Brasil poucos cumprem a pena integral e ninguém fica mais de 30 anos na prisão, dificilmente o País abrigaria fatos graves como este. Marginal que não titubeia em queimar pessoas vivas, cumprindo ordens de seus chefões que estão na cadeia, mas ainda comandam o crime organizado fora dos presídios, merece penas pesadas, sendo segregado da convivência social. Do contrário, continuará causando transtornos e vítimas como a pequena Ana Clara, cujos sonhos foram abortados e cuja família sofre de forma inimaginável.

Já em nível doméstico, aqui em Franca registramos mais uma tragédia no trânsito, onde um motorista embriagado causou a morte da jovem sapateira Franciele Aparecida Silvério Evangelista e ferimentos graves no seu marido, Arnaldo Fornel Júnior. Eles estavam casados há apenas um mês. Uma ocorrência como muitas outras já verificadas na cidade e que, no final, leva a penas leves demais para quem assume o risco de matar ao tomar, embriagado, a direção de um veículo automotor. Com penas mais duras em casos como este, que pode ser classificado como homicídio doloso, seria possível pelo menos reduzir de forma sensível o número deste tipo de acidente. Hoje, paga-se uma fiança e se aguarda em liberdade o julgamento (quando são aplicadas penas ‘alternativas’, como a distribuição de cestas básicas). Quem não faz uso de prudência, sai dirigindo sem qualquer respeito a terceiros e causa a morte de quem quer que seja também merece muitos anos de cadeia. Falta apenas nossos legisladores entenderem isso.

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