Desde abril do ano passado as reclamações sobre a transferência da central de atendimento da Polícia Militar (o conhecido 190) para Ribeirão Preto só aumentam. A falta de familiaridade dos atendentes com ruas e bairros de Franca serve apenas para prejudicar o bom andamento do trabalho da PM. As críticas avultam. Na edição de domingo do Comércio uma série de problemas é destacada por francanos que tentaram usar recentemente o serviço. A comunicação foi tão morosa que prejudicou a chegada da viatura e mesmo a prevenção de crimes.
De acordo com a reportagem, os casos envolvem desde esperas intermináveis a verdadeiros interrogatórios para que a ocorrência seja atendida. Isso quando o solicitante consegue completar a ligação. As reclamações são tantas que a Câmara Municipal, no mês passado, decidiu pedir providências ao governo do Estado. Mas a área de segurança pública da administração estadual já deixou claro que não há planos de retornar a central para Franca, como sempre existiu, com resultados satisfatórios: os atendentes conheciam Franca e suas particularidades, permitindo o deslocamento rápido de policiais e viaturas.
De acordo com a cúpula da Polícia Militar, a mudança foi benéfica e os atendentes que trabalhavam na central 190 de Franca, cerca de 20, foram deslocados para o serviço ativo. A população que necessita de atendimento rápido tem se manifestado contra. Há grande descontentamento, o que se percebe na reação coletiva à reportagem de domingo deste jornal. A série de perguntas feitas pelos atendentes, em Ribeirão Preto, consome um tempo precioso. Até a chegada da viatura pode ser que nada de positivo seja feito: ladrões fogem, assassinos desaparecem e a população fica à mercê da violência.
Nada, pelo menos até agora, justifica esta “centralização de atendimento” apregoada pelo governo do Estado. Principalmente nestes tempos quando se exige a polícia mais perto do cidadão. O serviço impessoal — mesmo que as perguntas feitas pelas atendentes sejam necessárias para o bom seguimento da ocorrência — acaba prejudicando a celeridade que alguns fatos exigem. Só mesmo quem não acompanha o dia-a-dia de uma cidade pode vislumbrar resultados positivos numa situação onde o município e seus moradores estão perdendo.
Embora em outros países este tipo de serviço seja terceirizado (como pretende o governo do Estado de São Paulo), normalmente ele não é descentralizado da forma como ocorre agora. Os atendentes são treinados para conhecer a fundo ruas e bairros da região onde atuam, permitindo que serviços de segurança e emergência sejam acionados da forma mais rápida possível. Ou seja: como sempre ocorre no Brasil, o modelo adotado em países como Estados Unidos foi mal implantado por aqui. Na tentativa de aumentar o efetivo nas ruas, criou-se uma prática que não está funcionando, ficou na intenção teórica. Afinal, quem é que vai acionar este efetivo maior se a central de atendimento não é capaz de entender as informações do cidadão e nem localizar o ponto sem muito perguntar? Sem resposta plausível, a população se sente mesmo é desamparada.