Depois de quase um mês, a situação dos 189 funcionários da Unifran (Universidade de Franca) demitidos e reintegrados segue indefinida. Eles propuseram uma extensa pauta de reivindicações ao grupo Cruzeiro do Sul (que assumiu o controle da instituição de ensino em junho do ano passado), em que negociavam desde estabilidade por dois anos a bolsas de estudos e cestas básicas, mas saíram de mãos abanando. A Cruzeiro do Sul anunciou no final da tarde de ontem que não acatou a proposta dos trabalhadores.
Durante a manhã, todos os funcionários readmitidos se reuniram em uma segunda assembleia no auditório da Unifran com a esperança de ouvir uma resposta para as suas reivindicações. No entanto, após a promessa de uma resposta somente no período da tarde, saíram frustrados do encontro, que envolveu até mesmo a polícia (leia mais em texto desta página).
No encontro, o único ponto que ficou definido é que, para melhor organizar o processo de reintegração, o retorno dos funcionários foi adiado até a próxima segunda-feira, 13 (os professores só retornam do processo dia 20). Até lá, todos seguem sendo remunerados. A assembleia não contou com representantes da Cruzeiro do Sul, apenas com o advogado do Sinteee (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino e Educação de Franca), José Nelson Salerno, e dois representantes dos demitidos.
Os 189 trabalhadores foram demitidos no último dia 10 devido a uma reestruturação do grupo e reconduzidos aos seus antigos cargos nove dias depois, por meio de uma liminar da Justiça do Trabalho.
Os pedidos
A proposta dos funcionários, elaborada no último dia 30, incluía diversas reivindicações, tais como manutenção dos empregados interessados em seus cargos; remanejamento dos empregados interessados para outras unidades; readmissão dos trabalhadores portadores de necessidades especiais; estabilidade do funcionário por um período de 24 meses e readmissão ou indenização dos funcionários que se aposentarão em até cinco anos.
Além disso, por não haver um plano de demissão voluntária, os funcionários também criaram uma proposta de compensação. Ela solicitava a conservação do convênio médico de todos os trabalhadores demitidos (e de todos os seus familiares) pelo período de 24 meses; pagamento ou fornecimento de cestas básicas mensais por dois anos; fornecimento de bolsas de estudos integrais para empregados e dependentes em todos os cursos até o final destes; indenização correspondente à remuneração bruta de um mês de salário para cada ano trabalhado e pagamento da semestralidade (referente aos primeiros seis meses de 2014) aos docentes demitidos.
A resposta
Um dos representantes dos funcionários demitidos, que pediu para não ter o nome divulgado, foi um dos que participou da reunião com a Cruzeiro do Sul, e se disse surpreso com o que foi definido. O grupo não só não aceitou a proposta, como não apresentou uma contraproposta. “Eles falaram que a nossa proposta inviabilizaria o funcionamento econômico da instituição. Um grupo que está expandindo seu mercado e indo para a Bolsa de Valores tem problemas financeiros? Além disso, eles também alegaram que não houve demissão em massa”, disse o representante.
Por enquanto, a única proposição da Cruzeiro do Sul - que, na primeira assembleia, não foi sequer aceita para votação pelos funcionários - envolve o pagamento de meio salário para os trabalhadores de até cinco anos de casa e um salário para os que têm mais de dez, além de seis meses de assistência médica e benefícios já previstos em convenções coletivas, como a entrega de cestas básicas.
Com isso, o representante informou que uma nova assembleia será realizada na próxima sexta-feira. Nesse dia, os funcionários irão decidir se farão uma nova proposta, se mantêm a que foi rejeitada ou acatam a sugerida pelo Cruzeiro do Sul. O local e horário deverão ser definidos pelo Sinteee nesta quarta-feira.