Quem precisa acionar a Polícia Militar para ocorrências de emergência em Franca tem sofrido. Desde que a central de atendimento (190) foi transferida para Ribeirão Preto, em abril do ano passado, os problemas e as queixas relacionadas ao serviço não param. Os casos envolvem desde esperas intermináveis a até verdadeiros interrogatórios para que a ocorrência seja atendida. Isso quando o solicitante consegue completar a ligação. As reclamações são tantas que a Câmara Municipal, no mês passado, decidiu pedir providências ao governo do Estado.
O restaurador de móveis José Francisco Costa, de 53 anos, bem que tentou denunciar um motorista que abandonou a vítima machucada no local do acidente de trânsito. “Estava trabalhando quando ouvi um barulho. Fui ver o que era e vi o motociclista no chão gemendo e um cara sair correndo com o veículo.”
José ligou imediatamente para o 190. “Queria informar a polícia para eles irem atrás. Mas não consegui. Primeiro esperei para ser atendido. Depois tentava falar o que tinha acontecido e a atendente do outro lado só me fazia perguntas sobre mim. Até a comprovação da propriedade do meu celular ela queria. Meu endereço, endereço do meu trabalho, se tinha provas, fotos do carro e do acidente. Gente, estava ligando para a polícia ir atrás e não deixar o cara fugir e pareceu que eu era o bandido. Desisti.”
Em outro caso, uma senhora de 49 anos, moradora da Vila Raycos, que pediu para não ser identificada, tentou impedir um espancamento. “Era bem cedo. Saí para caminhar e vi uns rapazes agredindo outro. Parei no primeiro orelhão e liguei para a polícia. Mas a atendente queria o endereço exato de onde eu estava e de onde tinha visto a agressão. Não anotei o nome das ruas. Estava com medo e nervosa, expliquei mais ou menos o local, disse que era perto do buracão da Vila Raycos, mas ele não conhecia nada. Me perguntou o que era a Vila Raycos. Quando insisti, ela disse que não podia mandar ninguém sem os endereços exatos. Como eu ia voltar lá e ficar procurando o nome da rua?”, disse.
Em outro caso, a dona de uma padaria no Jardim Brasilândia bem que tentou prender um estelionatário que queria passar notas de R$ 100 falsas. Ela identificou o golpe e ligou por mais de uma hora para a Polícia. Sem sucesso. Recorreu então ao vereador Zezinho Cabeleireiro (PPS) que também ligou para a Polícia, mas não conseguiu contato. O jeito foi conduzir o falsário até o plantão. “É um absurdo que um atendimento tão importante como este apresente tantas falhas. Quem liga para o 190 precisa de atendimento na hora. Não pode esperar ou ter que responder a perguntas irrelevantes. Isso tem que mudar”, disse o vereador.
Retorna?
A Polícia Militar foi procurada para comentar o assunto e afirmou que não há possibilidade de retorno do serviço para Franca em virtude dos resultados positivos apresentados após a transferência na região e outros pontos do Estado. Segundo dados da própria polícia, com a transferência, 20 policiais que antes trabalhavam atendendo as ligações puderam ser liberados para o atendimento de rua.
Colaborou Juliana Pereira