As próximas eleições, em outubro, quando serão escolhidos os ocupantes de cargos proporcionais (presidente, governadores, senadores e deputados, federais e estaduais) vai ser uma grande ocasião para que se conheça (ou não) o verdadeiro balaio de gatos que é o sistema político brasileiro. É como se juntar, num mesmo ambiente, raposas e galinhas, cães e gatos, gatos e ratos. A política brasileira, nos últimos anos, é movida a acordos escusos, fisiologismo e empreguismo. Trocam-se apoios por cargos na já inchada máquina administrativa, em todos os níveis. Inimigos de ontem abraçam-se hoje e prometem o que não se consegue cumprir.
Anos atrás seria impensável imaginar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de braços dados com Paulo Maluf (PP), como ocorreu nas eleições de 2012 para conseguir alavancar a candidatura do então ministro Fernando Haddad (PT), vitoriosa em São Paulo. Ou então a presidente Dilma Rousseff (PT) elogiando os senadores José Sarney e Renan Calheiros (ambos do PMDB). Esta salada, além de indigesta é a grande responsável por escândalos recentes da política brasileira, como o Mensalão, que envolveu petistas, petebistas e integrantes de outros partidos ‘aliados’ do governo Lula à época.
No Brasil, ao contrário de outras democracias consolidadas no mundo, não existe conteúdos ideológicos e programáticos que unam legendas afins, com planos semelhantes e propostas convergentes. Não é o que acontece, hoje. Os partidos políticos tornaram-se, em muitos casos, legendas de aluguel, criadas para reunir descontentes com o não atendimento de suas reivindicações e desejos pessoais. Troca-se de partido como se troca de roupa. Na maioria das vezes buscam-se vantagens pessoais em detrimento dos benefícios que a população espera.
A pluralidade das legendas políticas atualmente existente no País torna-se uma grande piada mundo afora: são 32 legendas, desde os mais conhecidos PT, PSDB, PTB, PDT, PP, PPS, PSB e DEM, entre outros, mas também muitos criados recentemente, como SDD (Solidariedade, do deputado federal Paulinho da Força), Pros (Partido Republicano da Ordem Social), PEN (Partido Ecológico Nacional) e PPL (Partido da Pátria Livre). À exceção do primeiro, os demais são legendas nanicas que ganham um grande poder de barganha quanto a tempo de exposição no rádio e na TV, durante a propaganda eleitoral gratuita.
Embora se fale sempre em reforma política, não há qualquer intenção em modificar o panorama atual. Os partidos tornam-se balcões de negócio. Quem conhece ainda o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), PHS (Partido Humanista Brasileiro), PTN (Partido Trabalhista Nacional), PSL (Partido Social Liberal) e PRB (Partido Republicano Brasileiro)? Há dúvidas do objetivo de sua existência. Enquanto persistir esta situação, estaremos condenados a eleger lobos em pele de cordeiro, já que não há conteúdo programático, apenas interesses que se somam para o benefício de muitos poucos. Será que já não é o momento de mudar tudo isso para beneficiar a maioria?